A Polícia Civil informou que abriu inquérito para apurar as ameaças sofridas por, pelo menos, dois vereadores de Belo Horizonte. As intimidações, conforme Nely Aquino (PRTB) e Jair di Gregório (PP), foram feitas por áudios e vídeos, enviados por WhatsApp, às vésperas da votação que cassou o mandato de Cláudio Duarte (PSL). 

A investigação está a cargo do delegado Thiago Pacheco, da 1ª Delegacia de Polícia Leste. Por meio da assessoria da instituição, Pacheco se limitou a dizer que "as apurações estão em curso". O delegado não quis comentar o caso para não atrapalhar as investigações.

Ameaça

Os dois vereadores acionaram a Polícia Civil e solicitaram a presença de um delegado na Câmara Municipal, na quinta-feira (1ª), para realizar um boletim de ocorrência sobre o caso. “Temos que prender os culpados. Isso é criminoso. E vamos andar com seguranças armados porque não vamos arriscar nossas famílias”, disse o vereador do PP, durante a sessão que cassou o mandato de Cláudio Duarte.

Segundo o relato de Jair di Gregório, por volta das 22h da última quarta-feira, ele recebeu dois áudios pelo WhatsApp com ameaças de morte. Em uma das mensagens, um homem diz: “Quero ver você votar amanhã contra o Cláudio Duarte. Eu vou te explodir”. Ainda conforme o vereador do PP, a filha, de 17 anos, recebeu diversas mensagens obscenas como forma de intimidação.

A presidente da Câmara, vereadora Nely Aquino (PRTB), também recebeu ameaças veladas, por meio de vídeos enviados ao celular do marido dela pelo WhatsApp, pelo mesmo número que fez as ameaças a Jair di Gregório. Nas imagens, uma pessoa filma, às escondidas, o filho da vereadora, de 6 anos, na porta da escola.

Após fazer um boletim de ocorrência sobre o caso, Nely Aquino disse ter reconhecido a voz do autor das ameaças. Segundo ela, existe a suspeita de que um funcionário do gabinete de Cláudio Duarte (PSL) tenha gravado o vídeo em que a criança é exposta. “Eu não levanto suspeitas contra o vereador, mas é de um assessor da Câmara Municipal. Reconheci a voz dele, é ligado ao gabinete do Cláudio Duarte”, disse a vereadora, na quarta-feira.

Suspeita

Para o vereador Mateus Simões (Novo), as ameaças não estão relacionadas apenas ao processo de cassação de Cláudio Duarte, mas também ao pedido de cassação contra o vereador Wellington Magalhães (DC), numa tentativa de minar os processos de quebra de decoro em análise na Câmara. Magalhães também é alvo de mais um pedido de cassação, acusado de desviar R$ 30 milhões do legislativo municipal.

Em Plenário, Wellington Magalhães se defendeu das acusações e atacou diretamente o vereador Mateus Simões, autor do segundo pedido de cassação contra ele na Casa. “Eu tenho uma filha de 2 anos e outra de 10 anos. O senhor me chamou de bandido, mas eu não sou bandido e vou te provar isso. O senhor deveria calçar as sandálias da humildade”, disparou Magalhães. 

Cassação

O vereador Cláudio Duarte (PSL) foi indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de peculato, organização criminosa e obstrução de Justiça. Ele é acusado de embolsar ao menos R$ 1 milhão com o esquema da “rachadinha”, prática ilegal de confiscar parte dos salários dos funcionários, entre 2017 e 2018. Segundo a denúncia da Polícia Civil, Cláudio Duarte chegou a confiscar até R$ 10 mil do salário de R$ 11 mil de apenas um funcionário, mensalmente.

O vereador foi afastado da Câmara Municipal em 2 de abril. Ele chegou a ficar dez dias preso na Penitenciária Nelson Hungria e permaneceu fora do Legislativo por dois meses, mas continuou recebendo o salário de R$ 17,6 mil. Desde 13 de julho, após retornar aos trabalhos na Câmara, Cláudio Duarte é monitorado pela polícia, sendo obrigado a usar tornozeleira eletrônica. Na quinta-feira (1º), em sessão histórica, Cláudio Duarte teve o mandato cassado. ele foi o primeiro vereador de BH a perder o cargo.

(*Colaborou Renata Evangelista)

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