A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu que a ação truculenta dos seguranças da boate Hangar 677 foi a causa da morte do fisiculturista Allan Guimarães Pontelo, de 25 anos, no dia 2 de setembro deste ano.

Dois seguranças de uma empresa privada e outros dois profissionais informais, sendo um deles cabo da Polícia Militar, foram indiciados. 

O Superintendente de Polícia Judiciária, delegado-geral Márcio Lobato, disse que, na versão dos seguranças, eles desconfiaram que Allan portava drogas ilícitas e decidiram segui-lo. O fisiculturista estava acompanhado de um amigo quando foi abordado, a caminho do banheiro.

Na revista, ainda de acordo com relato dos seguranças, eles encontraram substâncias entorpecentes com a vítima, que foi então conduzida até a parte de trás dos banheiros, longe das câmeras de segurança. “Nesse momento, um homem que se identificou como policial civil, chegou informando à vítima que seria presa. Allan se desesperou e tentou sair do local, momento em que passou a ser agredido”, explicou o delegado.

Segundo a PCMG, o homem tinha o hábito de se passar por policial civil para extorquir, por meio de chantagem, clientes flagrados com drogas na boate. No momento em que iniciaram as agressões contra Allan, o falso policial sacou uma arma de fogo e impediu que outras pessoas se aproximassem. 

O militar também auxiliou no crime, dificultando a aproximação de outros clientes. “Durante as agressões, um dos seguranças aplicou um ‘mata leão’ em Allan, fato determinante para sua morte”, concluiu o delegado. 

Os quatro envolvidos foram indiciados por homicídio qualificado, mediante asfixia e com emprego de meio que dificultou a defesa da vítima. 

Um deles foi detido durante uma operação da Polícia Civil no dia 24 de outubro e permanece preso. Outros dois envolvidos já têm mandado de prisão em aberto, mas ainda não foram localizados. 

Já o PM, por ter menor participação no crime, irá responder em liberdade. A Polícia Militar informou ter tomado ciência do caso, e disse que vai tomar as providências cabíveis e, após o julgamento, o PM envolvido sofrerá as penalidades internas. 

A Assessoria da Hangar disse que, apesar de ter contratado a CY Security, são eles que devem responder pelo resultado do inquérito. 

O advogado da empresa de segurança, Ércio Quaresma, disse que já esperavam que o caso fosse a julgamento, mas questionou o fato dos dois contratados da CY, que são réus primários e tem bons antecedentes, terem tido a prisão preventiva decretada. 

Segundo Quaresma, não há justificativa para isso, uma vez que os homens estavam apenas cumprindo seu trabalho. O advogado questionou, também, o laudo que não determinou a quantidade de anfetaminas encontrada no corpo da vítima. 

"Se ele não estivesse usado drogas, teria reagido da forma que reagiu, tentando fugir, se debatendo e lutando contra os seguranças? E quem garante que a quantidade de drogas que ele consumiu não agravou seu estado de saúde?

Ércio Quaresma ressaltou que os outros seguranças, entre eles um policial militar, que estavam armados, foram contratados diretamente pela boate e questionou o fato do nome do PM não ter sido divulgado, ao contrário do que aconteceu com os outros três suspeitos. 

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