A onda de ataques a ônibus na capital levou a Polícia Civil a criar uma força-tarefa para apurar os crimes. Em apenas 18 dias foram seis veículos incendiados, três deles somente ontem. Em todo o ano passado foram oito ocorrências. As investigações ficarão a cargo do Departamento de Operações Especiais (Deoesp), que intensificará os trabalhos na próxima semana.

Uma das hipóteses que serão levadas em conta é a de que os vandalismos seriam retaliações a operações policiais contra a criminalidade. Dos ônibus queimados ontem, dois foram no bairro Serra Verde, em Venda Nova, onde, na última quinta-feira, um suspeito morreu durante uma ação da Polícia Militar (PM) no Aglomerado do Borel, localizado nas proximidades. Os ataques aos coletivos foram registrados em menos de seis horas. Oito pessoas, dentre elas cinco adolescentes, foram detidas e ao menos duas confessaram envolvimento nos crimes, sem detalhar a motivação.

R$ 2,1 milhões foi o prejuízo que as empresas de ônibus tiveram com o vandalismo desde 17 de janeiro; de acordo com o SetraBH, cada veículo custa, em média, R$ 360 mil

A estatística de vandalismo poderia ser maior. No início desta semana, militares conseguiram impedir que um ônibus fosse queimado na avenida Antônio Carlos, Noroeste da capital, após uma operação no Aglomerado Pedreira Prado Lopes. Dois suspeitos morreram na ação.

“Cabe à polícia investigatória apurar o que motivou os casos. Mas percebemos que as informações se propagam pelas mídias sociais, e um infrator que viu atearem fogo em um ônibus em uma manifestação também quer replicar isso. Muitos veículos são incendiados não apenas em represália à polícia, mas a todo o poder público. Há situações, por exemplo, que é por conta da retirada de uma passarela”, comenta o chefe da Sala de Imprensa da PM, major Flávio Santiago.

Em andamento

Além das ocorrências em Venda Nova, um ônibus 328 B (Estação Barreiro-Cardoso) foi queimado no Barreiro. Conforme a ocorrência, por volta de meia-noite dois homens entraram no veículo e atearam fogo. Não houve feridos. 

Em 17 de janeiro, um coletivo da linha 1509 (Tupi-Califórnia) e um ônibus 9801 (Saudade-Santa Cruz) foram atacados nos bairros Tupi (Norte) e Santa (Nordeste), respectivamente.

Três dias depois, um veículo da linha 3503 (Santa Terezinha-São Gabriel) foi incendiado na região da Pampulha. Em nenhum dos casos, de acordo com a Polícia Civil, houve prisões. Todos os casos estão sendo investigados pela corporação.

Prejuízo milionário

Os seis coletivos queimados desde 17 de janeiro na capital mineira já deixaram um rombo milionário nas contas das empresas de ônibus que atuam na cidade. Cada veículo novo custa, em média, R$ 360 mil, e vandalismo não é coberto pelo seguro.

O prejuízo, porém, não será repassado ao usuário com aumento no preço das tarifas, garantiu o Sindicato das Empresas das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) por meio da assessoria de imprensa.

A entidade informou que um ônibus queimado é substituído por outro reserva, geralmente da frota antiga. A reposição pode levar até seis meses porque o carro precisa ser encomendado à fábrica.

Assim que ele é entregue, tem que ser emplacado e adaptado às exigências da BHTrans, como por exemplo a instalação de elevadores para deficientes.