⁠⁠⁠No dia em que a tragédia em Mariana completa três meses, a Polícia Civil de Minas Gerais cumpre mandados de busca e apreensão no escritório da Samarco, que pertence a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.  As ações também estão sendo feitas na sede da mineradora em Mariana, na Região Central de Minas. A operação foi chamada de Kairós, que faz referência a um termo grego que significa "momento oportuno".

As buscas, com participação de peritos, ocorrem na manhã desta sexta-feira (5), e são comandada pelo Delegado regional de Ouro Preto, Rodrigo Bustamante, com apoio da Divisão Especializada de Operações Especiais (Deoesp), comandada por Ramon Sandoli. Desde as 8 horas da manhã, cerca de 13 policiais estão na sede da empresa na rua Paraíba, na Savassi. No local estão sendo verificados documentos e equipamentos de informática da empresa, além de e-mails e conversas online. O material será usado nas investigações. Agentes estão fazendo backup de arquivos digitais e análises de documentos.

As atividades na Samarco foram suspensas temporariamente, até o encerramento dos trabalhos policiais.

A maior tragédia ambiental do país deixou 17 mortos e duas pessoas desaparecidas. Conforme o relatório, 320 mil pessoas foram atingidas. No dia 5 de novembro de 2015, a barragem de Fundão, em Mariana, se rompeu, destruindo o distrito de Bento Rodrigues, afetando ainda Águas Claras, Ponte do Gama, Paracatu e Pedras, além das cidades de Barra Longa e Rio Doce. Os rejeitos seguiram pelo rio Doce e atingiram mais de 40 cidades no Leste de Minas e no Espírito Santo.

A Polícia Civil, com ações coordenadas pelo delegado Rodrigo Bustamante, de Ouro Preto, apura as responsabilidades pelo rompimento e pelas mortes. Já os crimes ambientas são foco de investigação da Polícia Federal, que indiciou a Samarco, a Vale, a empresa VogBR e sete executivos e técnicos. Entre os indiciados está o diretor-presidente licenciado da Samarco, Ricardo Vescovi.

Por meio de nota a Samarco disse considerar a medida desnecessária e informou que está colaborando com a diligência policial desde o início das investigações das causas do rompimento da barragem de Fundão. A empresa, que afirma ter uma política rigorosa com a preservação de informações, também garantiu que tem respondido a todos os ofícios e requisições das autoridades.
 

Polícia Civil cumpre mandados de busca e apreensão na Samarco
Policiais estão fazendo backup de arquivos digitais e cópia de documentos (Foto: Wesley Rodrigues/Hoje em Dia)

Rejeitos de barragem da Samarco causaram prejuízo de R$ 1,2 bi

Os rejeitos de minério de ferro da barragem da Samarco que se rompeu em Mariana provocou prejuízo de R$ 1,2 bilhão ao Estado de Minas Gerais e aos 35 municípios banhados pelo Rio Doce, atingido pela lama. O valor consta em relatório divulgado nesta quinta-feira (4), pela força-tarefa montada pelo governo de Minas para apurar prejuízos causados pela tragédia. O valor será cobrado da Samarco. No total não estão incluídos danos ambientais e recursos que serão utilizados para o pagamento de indenização a famílias.

O levantamento do governo do Estado levou em consideração dados coletados entre as cidades de Mariana e Aimorés, na divisa com o Espírito Santo, onde o Rio Doce deságua. Na conta estão incluídas a reconstrução do distrito de Bento Rodrigues, destruído pela lama, recuperação de estradas e gastos com saneamento e saúde pública feitos pelo Estado e municípios, além da paralisação de atividades comerciais, industriais e agropecuária pela iniciativa privada.

Na avaliação do Estado, o R$ 1,2 bilhão poderá ser cobrado dentro da ação judicial de R$ 20 bilhões movida pela União e os governos de Minas e Espírito Santo contra a Samarco, Vale e BHP, para pagamento de prejuízos provocados pela lama. Existe a possibilidade ainda de que o valor faça parte do acordo que os governos tentam fazer com as empresas há 15 dias, mas ainda sem sucesso.

A ação judicial movida pela União e os dois governos estaduais previa o depósito de R$ 2 bilhões pelas empresas em janeiro. Por acordo entre as partes foi dado 15 dias para o repasse. Na quarta-feira, a Samarco pediu a suspensão do processo. A justificativa apresentada à Justiça é que as negociações ainda estão ocorrendo e que precisam de mais tempo para conclusão.

Em nota, a Samarco afirmou que vem dialogando com o Governo de Minas um acordo envolvendo União, Estado do Espírito Santo, dentre outros atores. A empresa afirma que desconhece o valor apresentado.