Um novo golpe de pirâmide financeira está sendo investigado em Juiz de Fora, na região da Zona da Mata. Segundo a Polícia Civil, uma quadrilha desmantelada em setembro do ano passado, estaria à frente das atividades, aliciando pessoas através de um grupo criado no Facebook sob o nome de MultiClik Brasil, empresa com sede em Santa Catarina.
 
“Dentro das investigações da empresa, cujo escritório foi fechado no ano passado, conseguimos descobrir a migração do mesmo grupo de empresários para esta modalidade na cidade a partir do monitoramento das atividades realizadas”, explica a delegada do caso, Mariana Veiga Silva. 
 
Conforme a PC, por meio da rede social, os integrantes do esquema recrutavam pessoas que investiam uma quantia inicial para se associarem à empresa e, em troca, recebiam a promessa de lucros muito acima dos valores de mercado com a postagem de anúncios e propagandas em sua página pessoal no Facebook. Além disso, as vítimas tinham que indicar novos participantes.
 
A polícia investiga cinco pessoas responsáveis pelo golpe em Juiz de Fora e o suspeito de ser o líder do esquema, ouvido pela delegada Mariana Veiga Silva na quinta-feira (14). O homem, que não teve o nome revelado, prestou declarações a respeito das atividades da empresa, mas, de acordo com a delegada, os argumentos apresentados não foram convincentes.
 
Ainda segundo a PC, na semana passada foi cumprido um mandado de busca e apreensão na residência do investigado, localizada no bairro São Pedro, e mais de R$ 20 mil em dinheiro foram apreendidos, parte dele em moeda estrangeira. Além disso foram recolhidos um notebook, centenas de broches promocionais, agendas e dezenas de cheques supostamente de sócios do esquema. 
 
A delegada Mariana Veiga afirmou que ainda não há informações de vítimas do novo esquema na cidade mineira, mas se ficarem comprovados a aplicação do golpe e o envolvimento dos suspeitos, eles podem responder pelo crime de estelionato. “Ainda não identificamos em Juiz de Fora nenhuma vítima dessa nova pirâmide. Mas as investigações continuam no sentido de identificar todos os envolvidos e evitar que outras pessoas sejam vítimas dessa prática ilegal”, comenta a delegada. 
 
Relembre o caso
 
Em setembro de 2012, a Polícia Civil de Juiz de Fora desmantelou um outro esquema de pirâmide financeira comandado pelo mesmo grupo investigado agora. Na ocasião, mais de 50 pessoas que foram vítimas do golpe chegaram a ser ouvidas e a polícia apreendeu centenas de cheques, notas promissórias, comprovantes de transações financeiras, além de dinheiro, joias, relógios e outros artigos. Também foram apreendidos sete máquinas fotográficas, vários notebooks e outros equipamentos eletrônicos. 
 
Segundo a PC, o esquema funcionava por meio de uma empresa de captação de associados para compra de assinaturas com investimento de R$ 600, divididos em até três vezes, sob a promessa de retornos financeiros acima das taxas de juros oferecidas pelo mercado formal. Para conseguirem o retorno esperado, as vítimas tinham que assistir vídeos na internet e indicar outras pessoas.