Um esquema de tráfico internacional de anabolizantes e outros medicamentos controlados foi desmantelado pela Polícia Civil de Paracatu, no Noroeste de Minas, após os investigadores realizarem uma encomenda do material ilegal pela internet e receberem o produto na própria delegacia. 
A partir da identificação do remetente, o esquema criminoso com ramificações em Minas, São Paulo e no Paraguai foi desvendado, cinco pessoas foram presas e cerca de R$ 5 milhões em medicamentos ilegais foram apreendidos.

Em coletiva nesta terça-feira (20), o delegado regional de Paratacu, Tiago Veiga Ludwig, explicou os detalhes do esquema, que também envolvia lavagem de dinheiro. Segundo ele, as investigações começaram há cerca de três meses a partir de uma denúncia anônima que chegou no site do governo estadual, em maio deste ano, relatando que uma pessoa de Paracatu operava um site de vendas de remédios controlados e esteroides anabolizantes.  Na página citada era informado um número de conta corrente para depósitos e havia, ainda, uma menção sobre a venda só ser concretizada via WhatsApp.

"A partir daí fizemos algumas compras pelo site para verificar se realmente estas encomendas chegavam e qual o conteúdo delas e, para nossa surpresa, a encomenda que a gente fez chegou na delegacia. Eram comprimidos de Cytotec [abortivo que tem venda restrita a estabelecimentos hospitalares credenciados] e ampolas de esteroides anabolizantes [também com venda proibida no país, salvo em casos de prescrição médica]. Salta aos olhos que estes produtos têm origem no Paraguai", relata o delegado, que lembra ainda que a compra destes anabolizantes só é possível diante de apresentação da prescrição médica em duas vias e a receita fica retida. 

Em contato com os Correios, a polícia acabou apreendendo cerca de 400 caixas de medicamentos ilegais enviadas pelo mesmo remetente. Nas embalagens, havia uma declaração de conteúdo que estava dobrada de forma que a não permitir a visualização por parte dos funcionários da agência. Todas as caixas continham o endereço de um shopping em São Paulo. 

Ao procurar o responsável pela agência dos Correios em São Paulo, foi possível chegar ao segurança do shopping, que passou as imagens das câmeras de segurança para a polícia mineira. Desta forma, a pessoa que fazia as postagens para a quadrilha foi identificada.

'Preparo' dos produtos

Na agência em São Paulo em que foi postada a encomenda feita pela própria polícia, os investigadores passaram nove dias em campana, até flagrarem o suspeito. Ele foi preso quando tentava fazer a postagem de seis encomendas contendo os medicamentos ilegais e, apontou, então, o local que recebia as encomendas, na cidade de Caieiras, em São Paulo, onde os produtos eram adulterados e preparados. 

"Deslocamos para Caieiras e nos deparamos com várias caixas de medicamentos, modelos de rótulos e, nos celulares, instruções específicas do líder da quadrilha sobre como o preparo poderia ser feito. Inclusive, havia um erro nas dosagens, então as pessoas acabavam comprando pelo site medicamentos que continham substâncias que a gente desconhece. É o risco de se comprar este tipo de coisa no mercado underground, nesse submundo do crime", salienta.

 

Vida de luxo

O gestor do site ostentava uma vida de luxo em Paracatu. Segundo o delegado, ele era frequentemente visto em baladas caras na cidade. Com ele, a polícia apreendeu um Camaro e uma moto potente, de 1000 cilindradas. 

Veículos

Veículos do gestor do site, apreendidos pela polícia

Além dele, a polícia prendeu, em Paracatu, um homem que seria o laranja da organização. Ele emprestava uma conta corrente para a lavagem de dinheiro, segundo apontou a investigação. Já em São Paulo, foram presas outras três pessoas, sendo duas que preparavam a encomenda e o homem responsável pela entrega dos esteroides nos Correios. 

Há ainda três mandados de prisão em aberto em nome dos líderes da quadrilha, dois homens e uma mulher, que moravam em uma mansão de alto luxo em Caieiras, São Paulo. Mas, eles se mudaram de lá, rapidamente, para fugir da polícia, inclusive, deixando boa parte da mudança para trás. O trio é considerado foragido. 

Além da apreensão de R$ 5 milhões em medicamentos, as contas correntes utilizadas para lavagem do dinheiro, que foram bloqueadas judicialmente, continham valores que ultrapassam os R$ 200 mil.

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