A Polícia Civil localizou e colhe o depoimento, na noite desta quarta-feira (15), dos ocupantes de uma segunda aeronave que também sobrevoava um acampamento do Movimento Sem Terra (MST), quando ocorreu a queda do avião com o prefeito de Central de Minas, Genil Mata Cruz (PP), de 39 anos, e do funcionário dele, Douglas Silva, de 30, nesta terça-feira (14).
 
A presença da segunda aeronave chegou a ser mencionada, mas ainda não tinha sido confirmada pela Polícia Civil. Após a queda, os tripulantes deste avião fugiram e não comunicaram o acidente para nenhuma autoridade competente.
 
Abatida
 
Também nesta quarta-feira, a Polícia Civil, descartou a hipótese de que o avião com o prefeito e o funcionário da Prefeitura de Central de Minas tenha sido abatido antes da queda. Nenhuma perfuração de projétil foi encontrada nos corpos, segundo resultado dos exames de necropsia. Também não foram encontradas marcas de tiros na fuselagem ou vestígios de ter sido atingida por algum objeto externo.
 
O eventual lançamento de rojões ou artefatos explosivos por parte dos ocupantes da aeronave sobre o terreno da queda está sendo apurado pela Polícia Civil, que já providenciou o recolhimento de fragmentos localizados na área, para serem submetidos a perícia.
 
A corporação, no entanto, aguardará o laudo da perícia do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), para confronto das análises. Cabe à Polícia Civil esclarecer as circunstâncias do acidente, ficando o Cenipa encarregado de investigar o motivo (falha mecânica, humana ou outras) da queda.
 
Sepultamento
 
Os corpos do prefeito Genil Mata Cruz (PP) e do funcionário dele, Douglas Silva, de 25, foram levados nesta quarta-feira para serem velados e sepultados. As cerimônias estão previstas para serem iniciadas às 10 horas desta quinta-feira (16), no Cemitério Municipal de Central de Minas. Foi decretado luto oficial de sete dias e feriado municipal na cidade de hoje ao meio dia desta quinta-feira (16). 
 
Acordo
 
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Cristiano Silveira, e o líder do bloco governista Minas Melhor, deputado Rogério Correia, ambos do PT, estiveram nesta quarta-feira em Tumiritinga, no Vale do Rio Doce, a fim de acompanhar de perto as investigações sobre o acidente aéreo. 
 
Os parlamentares conversaram com lideranças do acampamento dos sem-terra instalados na fazenda e propuseram que as mais de cem famílias desocupem a área, por questão de segurança e para aliviar as tensões sociais, agravadas após o acidente. Os sem-terra admitiram aceitar a proposta, mas fizeram algumas exigências, como a concessão, pelo governo, de um auxílio-moradia; a indicação, por parte do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), de um outro local para se instalarem; a presença de policiais militares no local, até que desocupem a área, de forma a garantir a segurança das famílias; e a investigação sobre as ameaças que líderes do acampamento vêm recebendo.
 
(* Com informações de Renata Evangelista - Hoje em Dia e Ana Lúcia Gonçalves - Hoje em Dia)