Um homem, de 54 anos, que realizava eventos religiosos e infantis na região de Várzea da Palma, no Norte de Minas, foi indiciado pela Polícia Civil pelo suposto abuso sexual de 14 meninas em mais de 20 anos na localidade. O número, no entanto, pode ser bem maior.

O inquérito, concluído em janeiro deste ano, ganhou repercussão nesta segunda-feira (17). Guilherme Vasconcelos Cardoso, delegado titular da Delegacia de Polícia Civil de Várzea da Palma e responsável pela investigação, explicou que o caso correu em segredo de Justiça e, por essa razão, não foi divulgado anteriormente.

"Ele montava grupos religiosos e cooptava crianças para participar das reuniões. Eram, principalmente, crianças carentes. Algumas ele escolhia e praticava o abuso sexual. Ele fez isso por mais de 20 anos", declarou Cardoso.

Conforme o investigador, o caso chegou até a Polícia Civil após uma das supostas vítimas, atualmente com 25 anos, ter relatado em redes sociais, no fim do ano passado, que havia sido abusada pelo homem, que é pedreiro, quando era pequena.

A investigação foi aberta e 14 pessoas foram ouvidas na condição de vítimas e outras pessoas como informantes. O primeiro caso registrado no inquérito ocorreu em 2004 e o mais recente há três anos. As meninas, segundo Cardoso, tinham entre seis e 10 anos de idade.

O inquérito foi concluído após dois meses de investigação, o que resultou no indiciamento do homem. "Entendi que havia elementos suficientes para que ele respondesse criminalmente pelos atos que praticou", relatou o delegado.

Hoje o homem cumpre medidas cautelares em liberdade, entre as quais a proibição de manter contato com crianças e de realizar festividades. 

Número pode ser maior

Ainda de acordo com o delegado, o número de vítimas pode ser ainda maior. Caso surjam novas denúncias de vítimas, o inquérito pode ser reaberto. 

"É provável que o número seja muito maior. Depende muito da pessoa denunciar, informar. É muito importante que, se surgirem novas vítimas, elas denunciem na Delegacia de Várzea da Palma", declarou.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa do suspeito.