A Polícia Civil Novo Cruzeiro, no Vale do Mucuri, investiga o sumiço de vinte doses de vacina CoronaVac no Posto de Saúde de Catuji. O principal suspeito é o ex-prefeito da cidade, de 41 anos.

Segundo o boletim de ocorrência, funcionários da Secretaria Municipal de Saúde contaram aos militares que em 12 de março ele esteve no local onde os imunizantes estavam armazenados e foi flagrado por uma enfermeira segurando uma caixa de vacinas.

A profissional de saúde então ligou para o coordenador do núcleo imunológico do município, que afirmou que no dia anterior, ao fim do expediente, ele teria feito o levantamento e havia 220 doses em frascos lacrados. O coordenador também contou que um dia antes do desaparecimento dos medicamentos recebeu uma ligação do político dizendo que precisava lhe entregar uma lembrancinha, uns chocolates em agradecimento à vacinação da mulher dele, que é médica.

Durante a ligação, o ex-prefeito teria se mostrado muito curioso em relação às vacinas e fez muitas perguntas sobre o nome da vacina, quantas doses continha em cada frasco, quantas doses restavam no município, qual faixa etária a prefeitura estava vacinando. Ele também quis saber sobre o acondicionamento das vacinas, temperatura ideal e se "suportaria ser levada" para outro local.

Ainda conforme a polícia, quando esteve no posto, o suspeito pediu permissão para se refrescar na sala de armazenamento das vacinas. A enfermeira permitiu que ele entrasse e, depois de algum tempo, viu o homem com um pacote de vacinas nas mãos. Em nova recontagem do estoque, os funcionários constataram que faltavam 20 doses que seriam aplicadas, como segunda dose, em idosos acima de 90 anos.

A enfermeira então disse ao político que ele não poderia mexer nas vacinas e que o medicamento não poderia ficar sem refrigeração. Nesse momento o alarme do refrigerador foi acionado.

O B.O. também traz a versão do ex-prefeito. Ele contou aos militares que chegou à unidade de saúde acompanhado da filha, menor de idade, cumprimentou as enfermeiras e pediu permissão para entrar na sala de vacinas. Ele confirmou aos policiais que abriu a geladeira para mostrar os frascos à menina, mas que não subtraiu nada, uma vez que não ficou sozinho no local.

Como não houve flagrante, o ex-prefeito não foi preso. O caso é investigado pela delegacia de Novo Cruzeiro. 

A reportagem do Hoje em Dia tentou, mas não conseguiu falar com o ex-prefeito e com a prefeitura de Catuji.