Motoristas banidos por má conduta ou rejeitados por aplicativos de transporte estavam atuando no serviço em BH e outras cidades, até fora do Estado, por meio de um esquema fraudulento. Pelo menos cem pessoas teriam sido beneficiadas pelo crime, coordenado por dois irmãos. A Polícia Civil apura a participação de mais envolvidos.

O golpe começou a ser desvendado após a corporação investigar um estupro praticado por um condutor de aplicativo. Há dois meses, a denunciante, de 21 anos, teria sido obrigada a fazer sexo oral no suspeito ao fim de uma corrida.

Os policiais descobriram que o homem tinha um perfil falso na plataforma. “A foto no sistema não era condizente com o nome verdadeiro”, disse a delegada Larissa Mascotte, da unidade de Combate à Violência Sexual. Na casa do motorista foram apreendidos um carro e um celular.

Foram as conversas pelo telefone que levaram aos irmãos detidos. Os preços oferecidos eram de R$ 300 e R$ 500, esse último com garantia de um ano. Nesse caso, se a empresa de transporte cancelasse a conta do condutor, os criminosos criariam outra. 

Larissa Mascotte explicou que a dupla conseguia os dados para compor os documentos por meio de uma empresa de fachada que buscava recrutar motoristas e manobristas. Os interessados em uma vaga de emprego enviavam currículos e informações pessoais para os suspeitos, que faziam as fotos e falsificavam a documentação para terceiros. Em seguida, a conta falsa na plataforma era aberta. As investigações seguem para levantar quem comprou o serviço.

Plataformas

Em nota, o Uber informou que os motoristas cadastrados no sistema passam pela checagem de antecedentes criminais, por uma empresa especializada. O aplicativo diz ter uma ferramenta que verifica a identidade do motorista em tempo real, por meio de “selfies”.

Já a 99 informou contar com equipe especializada para oferecer serviço seguro aos usuários. Além disso, neste ano, afirmou que irá expandir o processo de reconhecimento facial dos motoristas cadastrados.