Uma mensagem excluindo a candidatura de negras e gordas para uma vaga de emprego, além de evidenciar o preconceito no Brasil, ainda ilustra o triste dado divulgado nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aponta que negros são 64,3% dos trabalhadores desocupados no país. "Únicas exigências: Não podem ser negras, gordas (...)" é a frase contida no anúncio de vaga para cuidadoras de idosos. 

Uma foto com a mensagem enviada por meio do WhatsApp foi publicada pela Associação dos Cuidadores de Idosos de Minas Gerais acompanhada de uma nota de repúdio. "Estamos estarrecidos", diz a postagem.

Uma das cuidadoras que recebeu a mensagem registrou uma denúncia por racismo na Polícia Civil. A corporação informou que foi instaurado um inquérito para apurar o crime relatado pela vítima, que se enquadra na categoria de racismo, porque fere um número indeterminado de pessoas e não apenas uma vítima em específico.

A mensagem, repassada para uma lista de transmissão por uma psicóloga, oferecia 10 vagas para cuidadoras trabalharem como plantonistas, tendo como pagamento o valor de R$ 100. Segundo o boletim de ocorrência, a profissional afirmou que a empresa que oferecia as vagas era a agência Home Angels Centro-Sul, cujo escritório fica no Centro de Belo Horizonte.

Em uma troca de mensagens a qual a reportagem teve acesso, a intermediadora afirmou à cuidadora que a exigência era da empresa e que não havia nada que ela pudesse fazer. "Estou aqui para tentar empregar vocês! A leveza do afeto [empresa da psicóloga] adora as gordinhas, as negras as brancas e o resto tudo [sic]", respondeu.

A Home Angels, em nota, negou a existência do requisito repassado na mensagem e afirmou que "repudia com veemência todo e qualquer ato de injúria racial ou racismo, em todas as suas formas de manifestação". A Home Angels ainda informou não possuir vínculo jurídico com a psicóloga por quem a mensagem foi enviada e que ela não tem autorização para emitir qualquer juízo de valor em nome da agência.

A reportagem tentou várias vezes entrar em contato com a psicóloga e com a empresa A Leveza do Afeto, mas ninguém respondeu.