A Polícia Civil investiga um suposto esquema criminoso de “rachadinha” entre donos de pousadas e pessoas que recebem benefício de hospedagem e alimentação da Vale por causa do risco de rompimento da barragem B1/B2 em São Sebastião das Águas Claras, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A corporação realizou buscas em 13 estabelecimentos do setor de hotelaria, nesta sexta-feira (23), na região conhecida como Macacos.

De acordo com denúncia do Ministério Público Minas Gerais (MPMG), os R$ 20 mil pagos mensalmente por cada família estariam sendo divididos entre donos de pousadas e atingidos que nem sequer vivem nos estabelecimentos. “Eles dividiriam o valor mensal recebido, que é em torno de R$ 20 mil por família, e simulariam a hospedagem”, explicou o delegado Rodrigo Otávio Rodrigues.

As investigações apontaram que o valor destinado à hospedagem e à alimentação dos moradores é repassado diretamente para as pousadas e o beneficiário estaria buscando outra moradia de menor custo, ou até com parentes, enquanto a pousada receberia sua parte sem prestar o serviço contratado.

Ao todo, 250 pessoas são investigadas, incluindo aquelas ligadas aos 13 estabelecimentos alvos da operação e beneficiários. “O nosso objetivo hoje foi cumprir buscas para coleta de documentos e verificação da situação das pousadas”, informou o delegado.

Durante as buscas os agentes encontraram, em pelo menos três endereços, acomodações praticamente vazias, enquanto a lista de ocupação contava entre 15 e 20 hóspedes. “Em uma das pousadas, só estavam presentes duas pessoas, que se disseram hóspedes. Nós verificamos todos os quartos, e na totalidade, vazios. Em dois quartos, duas ou três peças de roupas de pessoas que, segundo o gerente do estabelecimento, comparecem eventualmente lá aos sábados ou domingos”.

Operação pousadas Macacos

Já em outro imóvel, onde estariam cadastrados 16 ocupantes, não havia ninguém. “Além disso, o proprietário já adquiriu três casas em uma propriedade acima da pousada, fora do terreno da pousada e fora da condição do estabelecimento comercial, e aluga essas casas para as famílias que estão cadastradas como hóspedes e beneficiários da Vale”.

Ainda de acordo com a PC, o gasto mensal chega a R$ 24 milhões. Desde 2019, quando as famílias foram obrigadas a sair de suas casas, o valor pago foi de mais de R$ 500 milhões.

“Ainda vamos apurar especificamente qual foi a participação de cada um nesse recebimento, mas, com as diligências de hoje, já conseguimos bastante elemento que configura a fraude dessa modalidade, de ‘rachadinha’, entre o dono do estabelecimento e o hóspede cadastrado”, finalizou Rodrigo Otávio.

Em nota, a Vale esclareceu que as famílias em Macacos foram ouvidas e puderam escolher se seriam alocadas em pousadas, hotéis ou imóveis alugados. "Atualmente, 78 famílias permanecem em hotéis e pousadas de Macacos e Belo Horizonte".

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