A Polícia Civil em Juiz de Fora, na Zona da Mata, abriu inquérito nesta terça-feira (25), para apurar uma tentativa de suicídio que supostamente teria relação com o jogo Baleia Azul. O caso aconteceu na noite do último sábado (22). Um adolescente, de 15 anos, foi socorrido pela mãe após ingerir grande quantidade de comprimidos.

A Polícia Militar foi acionada depois que o jovem deu entrada no Hospital de Pronto-Socorro de Juiz de Fora. A mãe do adolescente contou à polícia que havia notado mudanças no comportamento do menor e desconfia que ele estivesse participando do jogo macabro.

Segundo informou aos policiais, após a desconfiança, ela começou a monitorar o filho e foi quando encontrou o jovem quase desacordado dentro do quarto. O menor foi socorrido pelos parentes e encaminhado à unidade de saúde, onde permanece internado. O Conselho Tutelar da cidade também foi acionado e acompanha o caso.

A assessoria da Polícia Civil informou que os envolvidos no caso serão chamados para depor. A corporação deve pedir que os responsáveis do adolescente entreguem o aparelho celular dele para perícia.

Descartados

No início deste mês, a Polícia Civil concluiu a investigação de três casos suspeitos, sendo dois suicídios, uma tentativa e uma lesão corporal. A figura do suposto curador, que ordenaria a morte por meio de grupos fechados nas redes sociais, foi descartada.

Apenas um caso registrado em Pará de Minas, na região Central do Estado, aguarda a conclusão do inquérito. Porém, perícia preliminar realizada no celular da vítima mostrou que o rapaz não estava sendo ameaçado ou coagido.

Pânico

O jogo mortal chegou ao Brasil em abril deste ano e, desde então, vários suicídios foram ligados ao Baleia Azul. No caso registrado em Vila Rica, as autoridades informam que "não resta dúvida de que o suicídio foi motivado pelo jogo".

A corporação não forneceu detalhes sobre o "curador", mas informou que ele não mora na mesma região da vítima. Várias diligências foram realizadas para capturá-lo, porém, ele ainda não foi localizado e preso. Se detido, o responsável será indiciado por induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio. A pena para o crime varia entre 1 e 3 anos, mas pode ser dobrada em caso de agravantes.

Sinais de sofrimento

Na avaliação da psicanalista Maria Íris Siqueira Mendes, o suicídio é um evento dolorido na vida dos pais. Por isso, muitos tentam encontrar razões externas para o ato. “É muito difícil para o pai entender que o filho desistiu de viver, então, eles se apegam a qualquer indício que tira essa possibilidade de que a iniciativa tenha partido do próprio filho”, explica.

No entanto, Maria Íris ressalta que, muitas vezes, os próprios adolescentes já dão sinais de que algo não vai bem por meio da mudança de comportamento. A introspecção e o isolamento são alguns deles. “Os pais precisam observar a vida do filho, ter mais contato”, afirma. Ficar sempre sozinho ou passar muitas horas trancado no quarto ou na internet podem ser indícios de dificuldades emocionais.

Escola

Além disso, o ambiente escolar também pode revelar indícios importantes sobre o comportamento dos adolescentes. A especialista recomenda que os pais também procurem estar próximos da escola e acompanhem o que se passa nesse espaço e alerta que as instituições se distanciaram das relações com os jovens.

“As escolas estão mais preocupadas com a produtividade e deixaram de ter o contexto de observação dos alunos, de conversar, de perceber”, observa. E completa: “a grande lição que esse jogo tem nos trazido é que devemos desenvolver um grande debate em torno da importância da família. Temos que fortalecer os laços entre pais, filhos e escola e unirmos conhecimentos pedagógicos e psicológicos”.

Busque Ajuda

O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. O serviço funciona 24 horas por dia pelo telefone 141, por e-mail, chat ou Skype.

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