Na Central de Flagrantes (Ceflan) II, na região da Floresta, servidores da Guarda Municipal e policias militares aguardam a conclusão do registro da ocorrência da confusão entre as corporações que terminou com uma pessoa ferida. 
 
Entre as versões dadas para o caso, há no registro pela Guarda Municipal obtido pelo Hoje em Dia, que os servidores municipais realizavam repressão ao transporte clandestino, quando ao abordaram o militar reformado houve agressão. Para o tiro dado contra a servidora Lilian Emiliano de Oliveira, 28 anos, a corporação afirma que o cabo Carlos Gustavo Pereira de Melo, de 37 anos, havia mirado e atirado. “Houve até omissão de socorro. A Guarda ferida foi socorrida por um taxista que passava no local. A Polícia Militar não se preocupou em acionar um atendimento de urgência”, disse o advogado do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindbel), Leandro Gomes de Paula. 
 
Versão contestada pelos militares, que afirmam que o disparo que acabou ferindo a guarda municipal Lilian Oliveira teria sido acidental. “Ela e o guarda Peixoto tentaram tomar o armamento do militar e acabou acontecendo o disparo. Depois disso, eles agrediram o cabo com chutes, socos e pontapés”, conta o diretor jurídico da Associação dos Praças Militares e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra-MG), soldado Berlinque Cantelmo. 

Policiais na Ceflan
Policiais civis, militares e guardas municipais estiveram na Ceflan II para acompanhar o caso (Foto: Marcelo Prates/Hoje em Dia)
 
Ao todo, 22 pessoas serão sendo ouvidas ao longo da madrugada desta sexta-feira (16) pelo delegado Luiz Otávio Fraga Andrade. A expectativa é de que as oitivas terminem pela manhã. 
 
Para garantir a ordem, militares do Batalhão de Choque foram deslocados para a área da delegacia com o objetivo de evitar confrontos. Até às 01h15, haviam cerca de 20 Guardas Municipais no local. 
 
Ferida
 
A guarda municipal Lilian Emiliano de Oliveira sofreu fratura no maxiliar, perdeu vários dentes e ainda outros ferimentos na mão. Ela foi atendida inicialmente no Hospital Odilon Behrens. Depois foi transferida para o Hospital de Pronto-Socorro (HPS) João XXIII, onde passou por cirurgia de reconstituição ainda na noite dessa quinta-feira.
 
Entenda o caso 
 
A confusão envolveu dezenas de agentes da Polícia Militar (PM) e da Guarda Municipal (GM) da capital acabou com uma mulher ferida, no centro da cidade, na tarde dessa quinta-feira. A guarda municipal Lilian Emiliano de Oliveira, de 28 anos, foi atingida por uma bala de borracha calibre 12 mm no rosto, supostamente disparada por um militar. Inconformados, os colegas da servidora fecharam a Praça 7.
 
Segundo informações de testemunhas, o caso começou quando Daleimar Hilário Moreira, de 47 anos, 2º sargento reformado da PM, foi abordado pela Guarda Municipal nas proximidades da rodoviária, por suspeita de estar fazendo transporte clandestino de pessoas.
 
No momento da abordagem, o militar reformado teria reagido. Ele teria agredido os guardas municipais que revidaram e usaram uma arma de choque elétrico - chamada de taser para conter o agressor, que teria chamado por telefone a PM. 
 
Em seguida, um outro policial militar teria disparado, com uma escopeta, um projétil calibre 12 de borracha, que atingiu o rosto da guarda municipal. Um outro GM também chegou a ser agredido e depois detido pelos militares.
 
Protesto
 
Cerca de 200 guardas municipais fizeram um protesto, na noite de quinta-feira (15), em frente a Central de Flagrantes (Ceflan) II da Polícia Civil, na rua Conselheiro Rocha, no bairro Floresta, região Leste de Belo Horizonte. O ato é devido a confusão durante a tarde, próximo a rodoviária, no Centro, entre guardas municipais e policiais militares. A briga acabou com uma agente municipal ferida com um tiro de bala de borracha no rosto e outro GM preso. O grupo acompanhou o registro da ocorrência na Ceflan. 

 

 

(*) Com Danilo Emerich e Ricardo Rodrigues - Hoje em Dia