O crânio de uma das vítimas do rompimento da barragem da mina Córrego de Feijão, da Vale, em Brumadinho, foi encontrado na manhã dessa segunda-feira (3) pelos bombeiros. A Polícia Civil (PC) informou que os restos mortais localizados nos rejeitos foram encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML) nessa segunda-feira (3) e o DNA foi coletado para que sejam submetidos ao processo de identificação. Com isso, deve subir para 260 o número de mortes e cair para 10 o de pessoas desaparecidas.

Ainda conforme o Corpo de Bombeiros, o crânio tinha a arcada dentária superior parcialmente preservada, o que pode facilitar na identificação por de DNA. Este trabalho é feito pelas equipes da antropologia e odontologia-legal da PC. A ossada foi encontrada na área da ponte Alberto Flores, local onde os militares faziam a secagem e vistoria dos rejeitos. 

Local onde o crânio foi encontrado

Até então, o último registro de localização de vítimas aconteceu no fim do ano passado. Os corpos de João Tomaz de Oliveira, que tinha 46 anos, e Noel Borges de Oliveira, 50, foram identificados no dia 28 de dezembro.   

Mais de um ano depois da tragédia, os trabalhos continuam em Brumadinho de forma ininterrupta e as equipes do Corpo de Bombeiros continuam em busca das últimas vítimas. Nessa terça-feira (4), 66 bombeiros trabalhavam no local com a ajuda de um drone, 168 máquinas e 25 caminhonetes. 

Barragens em alerta por causa das chuvas

Nessa segunda-feira (3), a Agência Nacional de Mineração reforçou o alerta que já havia feito durante o período chuvoso em Minas Gerais, de que devem ocorrer mais chuvas intensas na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Com isso, o órgão estende o prazo para que as empresas que as mineradoras que possuem barragens no Estado permaneçam em estado de alerta até a próxima segunda-feira (10). 

"Em caso de qualquer situação de anormalidade, o Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM) deverá ser acionado e o SIGBM (Sistema Integrado de Gestão de Segurança de Barragens) tem que ser imediatamente informado", ressaltou a Agência.  

A Vale informou que até esta terça-feira não houve alteração no nível de alerta de nenhuma de suas barragens diante das chuvas intensas dos últimos dias.  "As estruturas são monitoradas permanentemente por diversos instrumentos, como piezômetros manuais e automatizados, radares e estações robóticas, câmeras de vídeo e pelo Centro de Monitoramento Geotécnico. Em decorrência do volume de chuva acima da normalidade, a empresa reforçou o número de equipes de campo, que estão de prontidão para eventuais situações de emergência", respondeu a empresa, por meio de nota. 

Atualmente, a mineradora tem três barragens no nível máximo de alerta para rompimento de barragem no Estado, sendo a BR/B4 em Macacos, a Forquilha I e II em Ouro Preto e a Sul Superior em Barão de Cocais. 

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