Até o fim de dezembro deste ano, 60 pessoas devem ser interrogadas no inquérito que investiga o rompimento da barragem Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, região Central de Minas. A expectativa é da Polícia Civil, que informou que 20 dias após a tragédia, oito pessoas já foram ouvidas.

Nesta semana, a delegada-geral Andrea Cláudia Vacchiano reuniu-se com a equipe que trabalha no caso para obter o balanço das apurações. No encontro, ela também definiu os próximos passos da investigação. A chefe da Polícia Civil determinou que a delegada Mellina Clemente integre a equipe, por ter experiência no assunto. Mellina atuou na investigação do estouro da barragem da Herculano Mineração, ocorrida em setembro de 2014.

Além disso, Vacchiano decidiu que peritos do órgão devem acompanhar todos os depoimentos e solicitou que as oitivas sejam feitas, paralelamente, em Mariana, Ouro Preto  e Belo Horizonte, sob coordenação do delegado regional Rodrigo Bustamante, titular do inquérito, com apoio do delegado de Meio Ambiente, Aloísio Daniel Fagundes.

“A primeira etapa da investigação avançou bastante. Um caso como esse de Mariana é de enorme complexidade, precisamos checar detalhes variados e colher todas as provas técnicas e materiais possíveis para esclarecer para a opinião pública o que de fato aconteceu, quais as causas e quem foram efetivamente os responsáveis pelo ocorrido. A equipe está trabalhando de forma otimizada e conta com a nossa retaguarda para que a Polícia Civil dê as respostas que toda sociedade brasileira espera”, afirmou Vacchiano.

Vítimas

Cinco corpos encontrados na área atingida pela catástrofe estão aguardando identificação nos institutos médico-legais de Belo Horizonte e Mariana. Por meio de nota, a polícia informou que o Instituto de Criminalística (IC) agiliza a fase de análises de DNA dos desaparecidos para identificação dos corpos.

Depois será feita a confrontação com o material de familiares. “Esse trabalho não permite previsão exata. O estágio de conservação dos segmentos corpóreos normalmente exige seguidas repetições dos exames e há casos em que o resultado sai em duas semanas e outros que demoram até seis meses”, adianta o diretor do IC, Marco Paiva, acrescentando que o laboratório busca resolver, paralelamente, os casos de Mariana e os da rotina.

No Instituto Médico-Legal (IML), em BH, legistas estão concluindo o exame odontolegal de dois corpos que, devem ser liberados às famílias na sexta-feira (27). Conforme a polícia, de um terceiro corpo, também no IML, foi possível fazer a coleta de impressões digitais, que agora serão comparadas com material genético.

Até esta quinta-feira (26), 11 pessoas continuam desaparecidas. As buscas estão sendo realizadas pelo Corpo de Bombeiros. Treze corpos já foram encontrados e entregues para as famílias.