A Polícia Federal (PF) vai solicitar aos supostos vacinados por uma falsa enfermeira, que teria aplicado doses contra a Covid-19 em empresários, na capital mineira, que apresentem exames laboratoriais sobre a imunização. Nesta quinta-feira, mais sete pessoas prestam depoimentos sobre o caso.

De acordo com a corporação, as análises clínicas serão pedidas aos envolvidos, mas sem caráter de obrigatoriedade. O material será submetido à perícia da PF para avaliação de conformidade da imunização.

Nesta quinta, uma pessoa envolvida com o suposto esquema de aplicação de doses foi ouvida pela manhã, na sede da PF. Outras seis ainda terão oitivas colhidas ao longo da tarde. Nenhum dos nomes dos ouvidos foi divulgado pela polícia.

Ao menos cem pessoas teriam sido vacinadas

Ainda conforme a corporação, o número de vacinados pela cuidadora de idosos que se passava por enfermeira passa de cem. Nessa segunda (5), mais quatro pessoas em investigação foram ouvidas e novos depoimentos estão previstos. 

A PF também informou que o material apreendido será periciado. Entre os itens, há cartões de vacinação com indicação da aplicação das doses do imunizante com o nome da Pfizer, seringas e caixas térmicas com as doses. A polícia disse que trabalha com as hipóteses de que as vacinas tenham sido importadas ilegalmente.

Histórico

A ação da PF foi deflagrada após reportagem da revista Piauí, publicada em 24 de março, ter revelado, por meio de vídeos, a vacinação clandestina de empresários e políticos dentro de uma das garagens de uma empresa de transporte.

Em nota, a Pfizer negou “qualquer venda ou distribuição de sua vacina contra a Covid-19 no Brasil fora do âmbito do Programa Nacional de Imunização”. Ainda segundo a empresa, o imunizante Comirnaty ainda não está disponível na nação.

Em oitivas no último dia 29, os empresários que teriam sido vacinados admitiram a aquisição dos medicamentos. No dia seguinte, os agentes cumpriram dois mandados de busca e apreensão na casa da suposta enfermeira e do filho.

A mulher foi presa em 31 de março e encaminhada à penitenciária Estevão Pinto, na capital mineira, mas foi solta provisoriamente no último sábado (3) após ter o pedido de habeas corpus aceito pela Justiça.

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