Um policial civil armado teria ameaçado e apontada uma pistola contra um guarda-municipal da Prefeitura de Belo Horizonte, na tarde desta quarta-feira (8), exigindo atendimento imediato da esposa dele na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Norte, no bairro 1º de Maio, na região Norte da capital.
 
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o investigador da 3ª Delegacia da Regional Leste  exigiu atendimento imediato para a esposa assim que chegou no local. O guarda municipal encaminhou a paciente para o fluxo correto de atendimento, em que a paciente deve passar pelo acolhimento para classificação de seu estado de saúde. O policial, que estava armado, deu voz de prisão ao guarda municipal alegando omissão de socorro.
 
Diante da ameaça, a Polícia Militar foi acionada e os envolvidos foram encaminhados à Delegacia Civil, acompanhados por testemunhas, para registro de boletim de ocorrência. O atendimento na UPA Norte não foi interrompido. 
 
Ainda conforme o órgão,  a mulher, acompanhada do policial civil, deu entrada na UPA às 13h44 e foi classificada como condição amarela às 13h53. A paciente, que recentemente passou por uma cirurgia bariátrica, foi encaminhada à UPA por ter sofrido perda de consciência. Ela passou por exames, e até o fim da tarde desta terça-feira encontrava-se em observação e recebendo os cuidados necessários.
 
Em nota, a Polícia Civil informou que, em seu depoimento, o guarda municipal disse que o investigador teria chegado de carro à UPA Norte e solicitado uma maca para a esposa, que estava desacordada. Ao ser informado que não havia maca disponível, o policial solicitou a ele que chamasse então um médico para atendê-la no veículo. 
 
"Diante de sua alegação de que não poderia deixar seu posto para buscar o médico, o policial o segurou pela gola e apontou a arma em sua direção, dizendo que o prenderia por omissão de socorro. Ele, no entanto, conta que conseguiu conter o investigador aplicando-lhe uma gravata, até ser contido por outro guarda municipal", detalha a nota.
 
Na delegacia, o investigador alega que levou a esposa à UPA Norte após encontrá-la desmaiada em casa. Ela está em tratamento de câncer, o que o fez buscar atendimento emergencial naquela unidade, devido à proximidade de sua residência. Diante da negativa do guarda municipal em chamar um médico para atendê-la, após informar que também não havia maca disponível para transportá-la, o policial civil conta que o segurou pelo uniforme e disse que o prenderia por omissão de socorro.
 
Em ambas as versões os ânimos teriam sido acalmados após intervenção de um segundo guarda municipal, o que possibilitou, inclusive, que a esposa do policial civil obtivesse o atendimento médico necessário ainda no carro.
 
O delegado responsável pelo caso ouviu as testemunhas e determinou a intimação de outras para o devido encaminhamento legal da investigação, que será finalizada na Delegacia de Polícia Civil de Venda Nova, responsável pela área onde ocorreu o episódio. Ambos os envolvidos foram liberados em seguida.
 
A Corregedoria Geral de Polícia Civil está instaurando procedimento administrativo quanto à conduta do investigador, para as devidas providências disciplinares.  A Guarda Municipal informou que também irá investigar o caso.
 
Atualizado às 19h08