O policial civil que matou um vizinho na madrugada desta segunda-feira (10) no bairro Buritis, região Oeste de Belo Horizonte, foi ouvido e liberado. De acordo com o delegado regional do Barreiro, Rômulo Guimarães Dias, as imagens do circuito interno de segurança do prédio onde ocorreu o crime corroboram a versão do agente, que afirmou ter esfaqueado o jovem de 22 anos em legítima defesa.

O policial, de 33 anos, que trabalha na Superintendência de Informações e Inteligência Policial (SIIP), afirmou que a tragédia aconteceu após um desentendimento entre ele e o vizinho, que trabalhava como modelo. O agente informou que ouviu um estrondo no prédio e, ao conferir, viu o rapaz tentando entrar à força no edifício, usando um extintor de incêndio. Esse foi o início de uma discussão, que terminou em luta corporal e morte.

Veja vídeo disponibilizado pela Polícia Civil:

“O policial foi ouvido e liberado, vez que existem imagens do circuito interno de televisão do prédio que mostram a ação, os fatos ocorridos. Essas imagens juntadas aos autos são categóricas para análise preliminar dos fatos. Pelo apresentado até o momento, não resta outra conclusão se não de que o policial agiu em legítima defesa”, afirmou o delegado Dias.

Segundo ele, a investigação poderá indicar outros fatores sobre o ocorrido, mas a análise preliminar é que o policial esfaqueou o vizinho para se defender, após o jovem partir para cima do civil para agredi-lo.

O delegado contou que foram encontradas drogas (maconha e haxixe) e garrafas de bebidas alcoólicas abertas no apartamento do jovem morto. A polícia irá investigar se ele estava sob efeito de entorpecentes ou álcool no momento da discussão com o policial.

Histórico da briga

De acordo com o delegado Dias, o policial relatou que, quando viu o jovem tentando entrar à força, perguntou se era um morador do prédio. Houve luta corporal e outros vizinhos apartaram a situação. O policial, então, teria voltado ao apartamento e acionado a Polícia Militar.

Com a chegada dos policiais, o agente teria aberto de seu apartamento e se dirigido à portaria para recebê-los. “Enquanto se dirigia à portaria para abrir a porta, ele encontrou com a vítima, que sem nenhum tipo de aviso, começou a agredir o policial, que estava portando uma faca e desferiu golpes na vítima”, disse o delegado.

O policial civil afirmou, em seu depoimento, que saiu do apartamento com faca, porque estava com medo do vizinho, que havia feito ameaças. O delegado Dias não confirmou a versão presente no Boletim de Ocorrência de que a vítima teria dito ao policial civil que era de uma família poderosa no mundo do crime.

A namorada do jovem morto contou que os dois haviam chegado de uma festa e, ao tentar entrar no prédio, a chave quebrou. Por isso, o namorado estava usando o extintor para arrombar a porta.

No segundo momento, quando o jovem está de cueca e entra em luta corporal pela segunda vez, ela disse que o namorado tinha saído do apartamento para pegar um celular com um motorista por aplicativo, pois havia esquecido o aparelho no veículo.