O símbolo da avenida Bernardo Monteiro não pode desaparecer. Foi com essa ideia que ativistas se reuniram no final da tarde desta terça-feira (19) no local para protestar contra a falta de cuidados com os cerca de 50 fícus centenários que estão ameaçados de não fazerem mais parte da paisagem da avenida, no bairro Santa Efigênia, região Leste de Belo Horizonte. Como protesto, se reuniram ao redor de uma das árvores, podadas na semana passada, e espalharam faixas verdes no entorno do tronco, cobrando providências das autoridades.

Segundo os manifestantes, ouve uma omissão do poder público, que não monitorou adequadamente as árvores. As plantas foram atacadas por uma praga chamada mosca-branca-fícus, que suga sua seiva, deixando a saúde do fícus vulnerável.

Mas para o biólogo e professor ambiental da Universidade de Ouro Preto, Sérvio Pontes Ribeiro, o que se assiste na avenida Bernardo Monteiro é resultado de falta de prognóstico e laudos do poder público.

"As árvores foram atacadas por uma praga, mas se elas adoeceram é porque a Prefeitura de Belo Horizonte deixou chegar a esse processo. Não houve monitoramento. Não houve cuidado. Essa fícus é uma árvore tombada. O que foi feito aqui é resultado da omissão e da falta de interesse do poder público”, afirmou Sérvio Pontes.

Quem dá voz ao protesto é a ecóloga Maria Elisa Castellanos. Segundo ela, “por ser um patrimônio paisagístico da cidade, era uma obrigação das autoridades não deixar chegar a esse ponto. Não consigo compreender como a praga da mosca-branca pode justificar o corte dessas árvores”, afirma.

Até o momento apenas a poda das árvores centenárias do local está sendo feita. A retirada total dos fícus, infestados pela presença da mosca-branca, é questão de tempo. Um tipo de fungo também está contribuindo para apodrecer e secar os galhos.

Porém, conforme noticiou o Hoje em Dia nesta terça-feira, um inseticida utilizado em arbustos pode ser a salvação dos fícus centenários. O produto é similar a um veneno usado nos Estados Unidos para dizimar a mosca-branca. Porém, sua utilização é proibida no Brasil pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Fabricantes da substância, produzida no Sul de país, devem chegar a Belo Horizonte até o fim da semana para depois realizar testes na companhia de técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA).

Imagem alterada

Desde a semana passada, a paisagem da avenida Bernardo Monteiro começou a mudar. Galhos de 50 árvores foram podados, descaracterizando o “túnel verde” que se formava no local. A avenida foi interditada durante o Carnaval para que funcionários da Secretaria de Meio Ambiente fizessem o serviço.

Todo o material retirado foi levado para o aterro de Sabará. O transporte foi feito em caminhões cobertos, medida necessária para evitar a propagação da mosca-branca em outros espécimes da cidade. Segundo Márcia Mourão, gerente de Gestão Ambiental da SMMA, a Prefeitura de BH deve determinar a incineração dos galhos infestados.