Com as doações materiais suspensas às famílias que perderam casas e parentes em Brumadinho, a população encontrou outra forma de demonstrar apoio às vítimas e aos bombeiros. Desde o dia do rompimento da barragem, pessoas de várias partes do Estado, inclusive crianças, têm deixado bilhetinhos e cartas em viaturas do Corpo de Bombeiros que encontram pelas ruas. Algumas delas vêm acompanhadas de uma guloseima, como um pirulito em forma de coração, uma balinha e até um docinho de leite. 

"A doação material não é mais o que a população está precisando, porque as pessoas já doaram tantas coisas que não está cabendo mais. Então, elas encontraram essa forma de ajudar, doando esperança e carinho, e dando força ao trabalho dos bombeiros", explica o tenente-coronel Anderson Passos, comandante do 8° Batalhão de Corpo de Bombeiros de Uberaba, no Triângulo Mineiro, que também tem atuado nas operações.   

As mensagens de força e respeito ao trabalho dos militares que atuam nas operações são encaminhadas a Brumadinho e distribuídas entre os bombeiros ali. Reconfortados e motivados, eles repassam às famílias os pensamentos positivos que recebem por escrito, formando o que Passos chama de "corrente do bem". 

"A gente tem obrigação de levar esse carinho às famílias. E é uma coisa espontânea, muitas pessoas nem se identificam em suas cartas, o intuito é realmente dar força ao trabalho dos bombeiros. É muito alentador. Imagina, um bombeiro que chega da lama, sujo, exausto, receber uma mensagem assim, ele se sente revigorado", conta. 

Detalhes

Um dos bilhetinhos, feito com a caligrafia de uma criança que está aprendendo a escrever, diz: "Querido bombeiro, obrigada pela sua coragem, você é meu herói! Deus te abençoe!". Outra mensagem lembra: "Bombeiros, cada corpo encontrado é um alívio para as famílias que podem ao menos se despedir de seus entes e amigos. Que Deus abençoe cada um de vocês, obrigada por tudo!". 

Segundo Passos, cerca de 1.000 bombeiros militares de todo o país já passaram por Brumadinho desde o dia do rompimento da barragem. Nesta terça (12), cerca de 350, incluindo alguns voluntários, atuam ali. Até o momento, 165 mortes já foram confirmadas e 155 pessoas permanecem desaparecidas. 

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