A insegurança vivida no aglomerado da Serra, Centro-Sul de BH, impediu o mutirão de combate à dengue na comunidade. Desde o fim de janeiro, a guerra entre traficantes que atuam na área foi intensificada, e a decisão da prefeitura foi evitar ações por lá para garantir a segurança dos servidores.

Com isso, os trabalhos de combate ao mosquito transmissor da doença, nessa sexta (5), ficaram restritos ao bairro da Serra. Dezenas de imóveis foram visitados pelos agentes.

O carro de som da equipe até chegou a circular nas proximidades do aglomerado, avisando sobre o mutirão, mas nenhuma ação foi feita dentro da comunidade. “Fico preocupada. Aqui existem focos e não temos a orientação dos agentes de saúde”, disse uma dona de casa de 37 anos, que pediu o anonimato.

Secretária-adjunta da Regional Centro-Sul, Cláudia Márcia de Lima disse que o serviço não foi programado para a comunidade por causa dos conflitos dos últimos dias. “Estamos prezando pela segurança dos servidores, sem falar que encontramos resistência até mesmo dos moradores para entrar nas casas do aglomerado”.

Grávida de cinco meses, uma mulher de 18 anos, que também não quis ser identificada, está preocupada. “A doença é grave, e estou grávida. Vejo vários focos aqui e não há fiscalização”, denunciou.

A regional informou que desde janeiro foram recolhidas 80 toneladas de lixo na região e mutirões nas vilas Cafezal e Novo São Lucas foram realizados.

No bairro

Na rua Santa Helena, o comerciante Rosemir Bragança, de 48 anos, fez uma força-tarefa no quintal da oficina. “Limpamos as calhas e o telhado de 15 em 15 dias. Hoje (nessa sexta) descartamos pneus e garrafas. Não quero que nem eu nem meus vizinhos e clientes sofram com a dengue”.