Pelo menos 190 mil pessoas usam diariamente o transporte clandestino em viagens intermunicipais pelo Estado, em 8 mil ônibus e vans. O levantamento é do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG). O número é quase o dobro do movimento registrado na rodoviária da capital no Carnaval (100 mil, por dia), ou mais de quatro vezes em dias normais (45 mil).

Para burlar a fiscalização, as empresas que fazem o transporte ilegal deixam seus veículos guardados, durante o dia, em postos de combustível, em rodovias federais. Um dos pontos de apoio fica a 70 metros de uma sede da Associação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais, no Anel Rodoviário de BH, no bairro São Francisco.
 
Em um bar, foram colocadas cadeiras para os passageiros da Beli Turismo. Na BR-040, no bairro Califórnia, região Noroeste, ficam estacionados os ônibus da TS e Arte Turismo, empresas que diariamente transportam passageiros da capital para Porteirinha, a um custo de R$ 60.

Partidas diárias
 
Os ônibus da TS Turismo partem diariamente às 20h da rua Guaicurus, no Centro da capital. No posto da BR-040, os motoristas e cobradores passam o dia e têm acesso a banheiros com ducha.

O posto da BR-040 também serve como ponto de embarque de passageiros e local para despacho de pequenas mercadorias. Segundo o DER, as duas empresas não têm autorização para atuar.

Força-tarefa

A Advocacia Geral do Estado iniciou, nesta semana, uma força-tarefa para cassar 500 liminares que impedem os fiscais do DER-MG de apreenderem ônibus e vans irregulares.

Em uma das ações, contra a CVA Turismo, a Justiça concedeu liminar autorizando a apreensão de seus veículos. A empresa é proprietária da rodoviária clandestina montada na avenida Antônio Carlos, no bairro Lagoinha, revelada com exclusividade pelo Hoje Em Dia.

Segundo o diretor de Fiscalização do DER-MG, João Afonso Baeta, estima-se que circulem 3.200 ônibus irregulares diariamente, a maioria caracterizada como veículos de turismo, o que dificulta a ação dos fiscais. O número de vans, na mesma situação, chegaria a 4.800.

]A assessoria de imprensa da PRF informou que a responsabilidade pela fiscalização no Anel é da PM. A reportagem tentou falar com as empresas citadas, mas ninguém atendeu às ligações.
 
As rotas do transporte clandestino na Edição Digital