Dezessete motoristas são multados, por hora, nas estradas federais de Minas Gerais. O balanço feito pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), referente ao primeiro semestre, mostra um aumento em relação às infrações cometidas no ano passado (15 multas por hora). Ao todo, 67.780 notificações foram emitidas entre janeiro e junho de 2012.

A imprudência de motoristas reflete o número de acidentes. No mesmo período, 540 pessoas morreram em 11.936 acidentes, nos 10.672 km de rodovias federais que cortam Minas. A infração mais cometida foi ultrapassagem em local proibido, representando 20% das multas aplicadas em Minas. Desde 2010, 3.188 mortes foram registradas nas BRs, em 66.736 acidentes.
 
O índice de irregularidades poderia ser ainda maior caso a fiscalização não fosse limitada pelo efetivo reduzido da PRF. São 800 agentes no estado, uma para cada 13,3 km. Durante os 30 minutos em que a reportagem esteve ontem na BR-381, entre Caeté e Ravena, em um dos trechos mais perigosos da rodovia, foram flagradas 16 ultrapassagens em faixa dupla contínua, sem nenhum policial por perto.

O assessor de comunicação da PRF, inspetor Adilson Souza, reconhece a limitação do efetivo, uma vez que os agentes também precisam atender acidentes, crimes e transporte de cargas excedentes. Além disso, parte do contingente está lotada na área administrativa. “O efetivo é o mesmo nos últimos anos, mas, a partir do planejamento estratégico, direcionamos melhor as operações e as autuações aumentaram”, afirmou Souza.

Justificativa

Quanto à redução do número de multas entre 2010 e 2011 (de 181,5 mil para 137,7 mil), a PRF alega que o motivo foi a instalação de radares, a conscientização dos motoristas e a renovação da frota – parte das multas se deve à falta de equipamentos obrigatórios.

Para o especialista em trânsito José Aparecido Ribeiro, o modelo de rodovia, a potência dos carros e o número de veículos justificam o número de ultrapassagens irregulares. Ele diz que a multa, por si só, não resolve o problema, mas, sim, obras de duplicação. “Os motoristas são mal preparados para dirigir em rodovias. É preciso mais orientação e treino”, diz.

O caminhoneiro Rogério Machado de Azevedo, de 44 anos, já testemunhou várias manobras arriscadas e tragédias. “Já passei muito aperto com carro me ultrapassando e depois me fechando, pois vinha outro veículo no sentido contrário.

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