O mundo visto praticamente através da abertura de uma janela. A sensação de solidão é uma das consequências do isolamento social, considerado pelos órgãos de saúde como uma estratégia essencial para evitar ainda mais a propagação do coronavírus. 

A inquietação humana pela mudança radical de rotina é natural, de acordo com especialistas. Mas a dificuldade na adequação do isolamento social pode trazer problemas sérios, como perda de memória, ausência de sono e desconcentração. 

solidão

Segundo a psicóloga Sylvia Flores, há várias dicas para não se entregar à solidão imposta pela nova rotina. A manutenção de uma estrutura diária, como se a pessoa fosse para mais um dia de trabalho fora de casa, é essencial.

“A rotina é importante para o ser humano. O trabalho salva as pessoas porque ele é estruturante e te força a tomar banho, a trocar de roupa e a se parecer bem durante as oito horas de serviço. A dica é tentar acordar todo dia na mesma hora. Tomar café da manhã, almoçar, fazer o lanche da tarde e jantar no mesmo horário. Isso vai ajudar na estrutura psíquica”, explicou a psicóloga.

“Outra coisa: Tire o pijama! Não se permita ficar de pijama o dia inteiro. Não se permita não tomar banho. O banho e o tirar o pijama não são apenas higiene física, e passam a ser também questão de higiene mental. Você vai colocar roupas diferentes todos os dias. Se quiser se maquiar, se maquie, penteie o cabelo, escove os dentes três vezes ao dia”, completou. 

Outra dificuldade imposta pelo isolamento forçado é a dificuldade de se situar no tempo e no espaço. Muita gente fica perdida, por exemplo, em datas. “É importante saber que dia é hoje. Se você estiver no prédio, olhe na janela, observe com atenção os vizinhos, a arquitetura, olhe para o céu e veja como está o clima. Tendo sol, exponha-se ao sol. De manhã ou no fim da tarde, deixe o sol bater no rosto como se fosse uma energia. Isso faz a diferença positiva”, destacou Flores. 

O estabelecimento de metas, ouvir músicas com letras positivas e assistir filmes que demonstrem leveza podem ajudar a tirar o desânimo, a tristeza e o sentimento de solidão. “Amanhã vou arrumar o meu armário, por exemplo. Isso ajuda a se manter motivado. A meta pode ser terminar de ler determinado livro nesta semana, pode ser aprender a cozinhar”. 

“Uma última dica é ouvir música que te coloque pra cima ou ver filmes que te deixe leve. A música cria o clima. Pode criar clima romântico ou de maior energia. Coloque uma música boa, divertida, que você goste bastante”, ressaltou. 


Centro de Valorização da Vida

Há várias formas de amenizar esta “tristeza solitária” imposta pelo cenário de prevenção da Covid-19. Muitas pessoas, por exemplo, procuram ajuda no telefone do Centro de Valorização da Vida (CVV), conhecido por realizar apoio emocional e prevenção do suicídio.

O voluntário da associação atende de forma gratuita todas as pessoas que querem e precisam conversar ou desabafar, sob total sigilo, por telefone (disque 188), e-mail e chat 24 horas todos os dias.

Como ser voluntário?

Quem quiser doar tempo e atenção de forma voluntária para pessoas que se sentem sozinhas, pode virar um plantonista do CVV após um curso gratuito de preparação de voluntários, em uma das sedes da associação ou online. Para se cadastrar, basta fazer a inscrição. 

A orientação é que o voluntário tenha mais de 18 anos de idade e pelo menos quatro horas disponíveis por semana para atuar como plantonista por telefone voip ou chat.