O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou nesta terça-feira (19) que instaurou um procedimento sigiloso de investigação para apurar possíveis casos no ambiente virtual envolvendo a boneca-monstro Momo. A orientação do órgão é para que as denúncias sobre a aparição da imagem em vídeos, aplicativos ou nas redes sociais sejam encaminhadas para o e-mail: crimedigital@mpmg.mp.br. 

Não há, no entanto, nenhuma evidência real que comprove a inserção da figura assustadora que induziria crianças a se ferirem em vídeos da plataforma YouTube Kids. Quem afirma é o Google, responsável pelo Youtube. 

"Ao contrário dos relatos apresentados, não recebemos nenhuma evidência recente de vídeos mostrando ou promovendo o desafio Momo no YouTube Kids. Conteúdo desse tipo violaria nossas políticas e seria removido imediatamente. Também oferecemos a todos os usuários formas de denunciar conteúdo, tanto no YouTube Kids como no YouTube. O uso da plataforma por menores de 13 anos deve sempre ser feito pelo YouTube Kids e com supervisão dos pais ou responsáveis".

O WhatsApp, aplicativo que tem sido o principal canal para o compartilhamento da imagem e vídeos com a figura, também se manifestou sobre o assunto: "O WhatsApp se preocupa muito com a segurança dos nossos usuários. É fácil bloquear qualquer número de telefone e encorajamos que os usuários nos reportem mensagens problemáticas para que possamos agir sobre elas".

Nessa segunda (18), o Ministério Público da Bahia (MPBA) também havia instaurado um procedimento para apurar o caso por meio do Núcleo de Combates a Crimes Cibernéticos (Nucciber), que chegou a notificar as plataformas citadas para darem uma resposta sobre o assunto e retirarem qualquer conteúdo considerado impróprio do ar.

ALERTA INTERNET MOMO CRIANÇAS

Crianças devem ser supervisionadas 

Outra orientação de segurança é para que as crianças pequenas sejam sempre supervisionadas quando acessarem a internet e o celular, mesmo que o acesso delas seja restrito a conteúdos infantis. O promotor Moacir Nascimento, que está a frente da apuração do caso Momo na Bahia, compara o uso sem supervisão da internet por crianças com o abandono dos filhos em praça pública.

"A mensagem que eu gostaria de passar é: pais, não abandonem seus filhos na internet, da mesma forma que nunca os abandonariam em uma praça pública. Crianças a partir dos 6 anos já utilizam smartphones livremente, e WhatsApp, Facebook. É preciso que haja um acompanhamento dessas atividades, pois além de casos como a Momo, há muitas pessoas que podem se beneficiar disso, como pedófilos e chantagistas", explica. 

A própria plataforma de vídeos infantis, o YouTube Kids, por meio da Google, lembra que o uso da plataforma por menores de 13 anos deve sempre ser feito com supervisão dos pais ou responsáveis. 

Nascimento dá mais uma dica para ajudar os pais a evitarem que seus filhos tenham acesso a qualquer conteúdo impróprio na internet: usar os filtos adicionais do YouTube Kids, como o que bloqueia o acesso dos pequenos à ferramenta de busca da plataforma. Para saber mais, clique aqui e acesse a política de segurança infantil do YouTube. 

Leia mais:
Fiocruz discute impacto das fake news na saúde das pessoas
Não é possível inserir a Momo em vídeos sem deixar rastros, diz especialista
Saiba como denunciar conteúdo impróprio, como a Momo, no YouTube Kids
Google diz que não há evidências de aparições da Momo no YouTube Kids 
Reapariação da boneca Momo em vídeo acende alerta sobre controle do que as crianças veem na web