Como se não bastassem os degraus, buracos, carros estacionados de forma irregular, entre outros objetos, equipamentos urbanos indevidamente instalados – como pontos de ônibus, postes, placas e lixeiras – também se tornam obstáculos nas calçadas de Belo Horizonte.

Apesar de necessários, os itens tornam passagens já estreitas praticamente intransponíveis, obrigando o pedestre a se arriscar pela rua.

A cena é comum fora do perímetro da avenida do Contorno, onde a expansão dos bairros se deu de maneira desordenada e não houve planejamento urbano. O resultado são ruas de intenso trânsito, com passeios estreitos e repletos de obstáculos, desrespeitando o Código de Posturas de Belo Horizonte.

A lei determina que passeios com menos de 2 metros de largura tenham reservados 75% do espaço para o pedestre, e o restante para o mobiliário urbano, seguindo um alinhamento mais próximo à via. Os equipamentos públicos devem manter uma distância mínima de 5 metros da esquina e ocupar, no máximo, 30% da calçada no sentido longitudinal e 40% no transversal.

Porém, não é a realidade das ruas Niquelina, Euclásio, Jacuí, Padre Eustáquio, Três Pontas e Platina. Na Niquelina, próximo à esquina da rua Coronel Antônio Ferreira da Silva, no bairro Santa Efigênia (região Leste), um poste no meio do passeio reduz a passagem de 1,4 metro para apenas 46 centímetros. Pessoas chegam a se espremer para passar. Na sequência, árvores, placas e um ponto de ônibus obrigam o pedestre a andar na rua.

Na rua Euclásio, também no Santa Efigênia, a situação é parecida. “Duas senhoras já foram atropeladas por causa disso. Todo o bairro é assim”, relata a aposentada Solange de Souza, de 65 anos.


Barreira

O problema é pior para quem é cadeirante ou tem mobilidade reduzida, como Geraldo César Nunes, de 67 anos, que enfrenta dificuldade para passar por um ponto de ônibus na rua Jacuí, no bairro Concórdia (Nordeste). “Às vezes, é melhor andar na rua e se arriscar”, diz a mulher dele, Maria José Gonçalves, de 64 anos, acompanhada da cuidadora Vera da Silva.

Na rua Padre Eustáquio (Noroeste), a situação se repete, com passagens se restringindo a até 60 cm. “Já reclamei na prefeitura. Temos que ficar pedindo licença para quem espera no ponto de ônibus. Também tivemos casos de atropelamentos aqui”, conta a comerciária Ilane Rossi.