Menos de dois meses após a conclusão da reforma e da reabertura da Praça da Liberdade, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, o tradicional espaço de lazer voltou a ser alvo de vandalismo. Bancos pichados, flores pisoteadas e cercas arrancadas são alguns dos estragos feitos no local.

Na manhã de ontem, uma equipe da prefeitura (PBH) lavou quatro bancos que haviam sido depredados no fim de semana. À tarde, outros dois ainda tinham os encostos de braço pichados. 

Os crimes contra o patrimônio ocorrem pelo menos uma vez a cada quinze dias, calcula o auxiliar de jardinagem Genivaldo Alves, de 53 anos. “Desde a reforma, os estragos não são mais tão comuns, mas acontecem com alguma regularidade. Aí, limpamos com água, bucha e sabão”, conta.

Em dezembro, o Hoje em Dia mostrou casos de depredação e pichação na Praça da Liberdade e nas lunetas da rua Sapucaí. Os crimes são configurados como dano ao patrimônio público e infração ambiental, com penas de multa e até três anos de prisão

Falta de cuidado

Há cinco anos vendendo pipoca na região, Washington Silvestre, de 45, afirma que todos os dias percebe a falta de cuidado dos frequentadores. “Essa semana fiquei vendo um moço arrancar o cabo de contenção dos arbustos. Achei até que ele ia roubar, mas só estragou e deixou no mesmo lugar. Tem gente que vem até com crianças para tirar fotos e pisa nas flores do jardim. Quando é próximo de mim, sempre peço para parar, pergunto por que a pessoa está fazendo isso”, diz.

Ele, que trabalha todos os dias por lá, garante que os atos de vandalismo são mais recorrentes aos fins de semana, especialmente à noite. “Muitos jovens que não têm espaços de lazer vêm beber aqui. Eles tiram os canetões da mochila e picham, quebram as lixeiras. Revitalizaram a praça, mas as pessoas não se conscientizaram que essa obra custou dinheiro e que estão depredando um patrimônio que é de todos os belo-horizontinos”, observa.

Patrulhamento

A segurança da praça é feita principalmente pela Guarda Municipal. Ao todo, 13 agentes se revezam em turnos para garantir o patrulhamento 24 horas. Desde a revitalização, porém, a corporação registrou três ocorrências de depredação e pichação. 

Há cinco câmeras espalhadas, sendo quatro delas do sistema Olho Vivo, conforme a PBH. Questionada, a Polícia Militar (PM) disse que iria levantar os dados de crimes contra o patrimônio ocorridos no espaço e afirmou que a vigilância é feita todos os dias da semana.

A MRV Engenharia, empresa que adotou a Praça da Liberdade, informou que está apurando os números de casos e os danos causados por vandalismo. Além disso, garantiu que irá tomar as “devidas providências de sua responsabilidade”.

Custo

Em nota, a prefeitura da capital esclareceu que, desde a revitalização do local, a manutenção – como poda de árvore, sistema de irrigação, fontes e capina – é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura. Atualmente, nove pessoas trabalham por lá. O custo para a reposição dos componentes de irrigação dos canteiros e reparo do bebedouro, também alvo de vândalos após a reforma, foi de aproximadamente R$ 6 mil.