A polêmica envolvendo os gastos do governo federal com alimentos, como os R$ 15 milhões em leite condensado, teve mais uma repercussão nesta quarta-feira (27). Pela manhã, o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e deputado federal, Eduardo Bolsonado (PSL), tentou justificar a compra dos produtos por meio do Twitter.

A argumentação foi feita em uma sequência de seis publicações. Em uma dela, o parlamentar disse que o produto é um item calórico, indicado para “quem faz muitas atividades físicas”, além de servir como base para elaboração de outros alimentos “comuns à mesa dos brasileiros, como bolo”.

Antes dessa postagem, ele já havia dito que “leite condensado não se mistura com pão com mortadela”, referindo-se ao termo utilizado para descrever pessoas ligadas ao PT. O deputado afirmou, ainda, que há sempre um “objetivo de criar narrativas para desgastar o presidente”.

Em seguida, Eduardo Bolsonaro diz que o produto virou uma marca de Jair Bolsonaro e compartilhou uma imagem com gráficos, onde mostra que parte do valor foi gasto com o Ministério da Defesa.

O deputado afirmou que o ministério abriga as Forças Armadas, com um efetivo de 334 mil pessoas em serviço e que, com este valor, é possível comprar pouco mais de 6,5 mil latas de leite condensado por dia, o que considera “algo bem razoável para uma tropa de 334.000 militares”.

Após as justificativas, o parlamentar argumentou que não há qualquer suspeita de desvio ou superfaturamento, apontados por “afoitos que já pediram o impeachment de um presidente honesto”, finalizou.

Gastos

Os gastos alimentícios do ano passado somaram mais de R$ 1,8 bilhão. Destacam-se os R$ 15 milhões pagos em leite condensado, R$ 2,2 milhões em chicletes e R$ 32,7 milhões em pizza e refrigerante. Ao todo, o governo aumentou em 20% o valor na comparação com 2019.

Parlamentares formalizaram uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a abertura de investigação. O pedido, protocolado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e os deputados federais Tabata Amaral (PDT-SP) e Felipe Rigoni (PSB-ES), alega que o aumento das despesas fere o princípio da moralidade administrativa. 

O deputado David Miranda (PSOL-RJ) e as deputadas Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Vivi Reis (PSOL-PA) registraram uma ação para que o procurador-geral da República, Augusto Aras, abra uma investigação.

Durante a noite de terça (26), até às 8h de hoje, o Portal da Transparência, sistema do governo federal para prestar contas dos gastos públicos, saiu do ar devido ao volume "fora do habitual" de acessos, segundo divulgado pela Controladoria-Geral da União (CGU). 

"No início da noite, os acessos continuaram bastante elevados, o que aparentemente acabou por acarretar a instabilidade e a consequente indisponibilidade de acesso ao Portal", explicou o órgão.

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