Termina hoje o prazo para que as empresas de ônibus apresentem à BHTrans o relatório comprovando a contratação de 500 cobradores para atuarem no transporte público da capital. A determinação foi dada pelo prefeito Alexandre Kalil, há cerca de 30 dias, sob pena do impedimento do reajuste das tarifas, no início de 2020. Nas ruas, no entanto, os coletivos continuam circulando sem os agentes de bordo, contrariando a legislação.

Na avenida Amazonas, em um ponto de embarque próximo ao Mercado Central, a equipe de reportagem verificou que a insatisfação segue generalizada. Para os passageiros, a ausência dos trocadores é sinônimo de atraso nas viagens e transtorno. 

O comerciante Adelci Félix, de 51 anos, que sempre utiliza a linha 9208 (Taquaril/Conjunto Santa Maria), afirma que o sumiço dos profissionais criou uma situação de risco para todos que andam de ônibus. 

“O motorista não pode mais concentrar toda atenção no trânsito, porque precisa manipular dinheiro e dar troco. Isso é muito perigoso”, critica. 

Quem está ao volante também reclama. Um condutor da linha 9410 (Sagrada Família/Coração Eucarístico) afirmou que não tem expectativa quanto ao retorno dos trocadores. “Se voltarem vai ser só no ano que vem, mas duvido muito. Até lá, temos que aguentar esse sofrimento”.

Multas
Por lei, todas as linhas de BH devem contar com os agentes de bordo nos horários de pico. A norma, ignorada há cerca de três anos, já gerou mais de 14 mil multas, só de janeiro de 2018 a julho de 2019. O valor acumulado das autuações chega a R$ 10 milhões.

O Procon Estadual também acompanha a situação. “Pelo menos 33 empresas já foram notificadas. Os procedimentos estão em prazo de defesa, mas, se houver sanções, serão em valores muito maiores do que multa aplicada atualmente”, garante o promotor de Justiça de Defesa do Consumidor, Paulo de Tarso Morais Filho.

A BHTrans reforçou que termina hoje o prazo para que as concessionárias apresentem a documentação com a contratação dos trocadores. “E, a partir daí, envio semanal comprovando a permanência e as linhas onde estarão operando”, informou o órgão, em nota.

De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setra-BH), “todas as contratações acertadas com a PBH já estão praticamente concluídas e os agentes devem começar a trabalhar nos próximos dias”.

 

 

PALAVRA DE ESPECIALISTA

“A questão dos cobradores em BH já deveria ter sido resolvida se investíssemos corretamente em tecnologia. Não faz sentido manter esses profissionais se a maioria da população já paga a tarifa com o cartão eletrônico. O que precisamos é trabalhar para que todas as pessoas tenham o cartão e consigam colocar créditos em diversos locais. Hoje, elas têm a sensação que de que o trocador é indispensável porque vai ajudar a fiscalizar o coletivo e auxiliar, por exemplo, os usuários cadeirantes. No entanto, o que é preciso melhorar é a qualidade dos elevadores nos ônibus para que esses passageiros consigam embarcar e desembarcar sem dificuldades e em segurança”
Márcio Aguiar
Especialista em transportes