Mudanças urgentes no Move Metropolitano foram solicitadas por prefeitos ao secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, Murilo Valadares, em encontro na Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel). A principal queixa é que eles estão sendo excluídos dos debates sobre o transporte público promovidos pelo governo de Minas e a prefeitura da capital.
 
Os prefeitos afirmam que o Move foi implantado em 2014 sem que a população da região metropolitana fosse ouvida e, até hoje, há estações inacabadas. Para o prefeito de Lagoa Santa, Fernando Pereira Gomes Neto, “está tudo errado”. “O sistema de transporte coletivo não pode ser refém das empresas”, critica.
 
Gomes afirma que a viagem de Lagoa Santa a BH ficou mais demorada com o Move, pois os passageiros só podem pegam o ônibus articulado na estação Vilarinho, em Venda Nova. Antes, podiam embarcar no coletivo no bairro Morro Alto, em Vespasiano. “Queremos uma plataforma de embarque no ponto central de Lagoa Santa. A prefeitura faz as obras estruturais e o Estado complementa”, propôs.
 
Prefeito de Vespasiano e presidente da Granbel, Carlos Murta defende o trem metropolitano. “Precisamos de alternativas para baratear e encurtar o tempo de viagem”, disse.
 
Falhas
 
Usuários do Move apontam deficiências, como a falta de vigilância nas estações, localizadas longe de onde residem. “Quem usa o transporte coletivo precisa de rapidez, pontualidade e tarifa barata”, aponta a auxiliar de serviços gerais Irene Lopes, de 59 anos, moradora de Jaboticatubas.
 
“O tempo de espera e de viagem é grande com o Move. Não dá para conviver com um serviço ruim e caro. O povo precisa reclamar mais”, diz o comerciário Tiago Santos, de 37, que mora em Betim e trabalha em BH.
 
Moradora de Santa Luzia, a estudante Mariana Freitas, de 19, afirma que, com o Move, foi extinta a linha direta de Santa Luzia a Belo Horizonte. “Isso prejudicou muita gente”.
 
A Secretaria de Estado de Obras Públicas (Setop) informou que, com a implantação do Move Metropolitano, as linhas para BH passaram a operar como alimentadoras (bairros/terminais), e 180 foram retiradas do centro da capital.
 
Diagnóstico aponta redução de usuários do transporte coletivo nas cidades vizinhas a BH
 
Só 24% dos moradores usam o transporte coletivo, índice que vem reduzindo nos últimos anos, como mostra o diagnóstico do sistema de transporte sobre rodas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, apresentado aos prefeitos pela Setop. São 10,1 milhões de viagens por dia na RMBH, onde vivem 5,2 milhões de habitantes, e 4,5 milhões de viagens diárias na capital, onde residem 2,7 milhões de pessoas.
 
O estudo, feito com base em dados da Pesquisa Origem e Destino 2012, deve ser concluído até outubro. O secretário Murilo Valadares afirma que o trem metropolitano deve sair do papel a partir das mudanças propostas no redesenho do transporte na RMBH. Sobre a ampliação do metrô, disse que “está sendo negociado” com o governo federal”.
 
Segundo ele, o sistema será discutido com prefeitos e usuários, focando a integração dos modais (ônibus circulares e metrô), tarifas diferenciadas e locais das estações. O primeiro alvo do novo modelo será o sistema Move, com ônibus articulados.
 
“A melhor solução é ter metrô e trem metropolitano. Ônibus virou coisa do século passado” Tiago dos Santos, comerciário que mora em Betim

“Quem usa o transporte coletivo precisa de rapidez, pontualidade e tarifa mais barata, porque o salário óh...” Irene Lopes, auxiliar de serviços que mora em Jaboticatubas

“Se não fizermos pressão, não sairá uma solução que agrade a maioria dos usuários do transporte público” Mariana Freitas, estudante que mora em Santa Luzia