A prefeita de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Marília Campos (PT), informou, na tarde desta segunda-feira (8), que a cidade ampliará as restrições no combate à Covid-19 a partir de quarta-feira (10), como forma de baixar os indicadores de evolução da pandemia. As mudanças valerão por 21 dias. Entre as medidas, está a suspensão do funcionamento do comércio não-essencial e o fim do consumo de alimentos e bebidas em estabelecimentos.

A gestora, que é vice-presidente da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel), informou que se reuniu com os outros 20 prefeitos da Grande BH nesta segunda para discutir a necessidade da adoção conjunta da onda roxa do Estado nos municípios, mas não houve consenso entre os participantes (saiba mais abaixo).

Dessa forma, a cidade de Contagem, que registra 93% de ocupação dos leitos de UTI e 70% de uso das unidades de enfermaria, informou que publicará decreto para novas medidas de endurecimento das restrições no município. A gestão, no entanto, descartou a adoção da onda roxa "sozinha" e estudará se aplicará toque de recolher.

"A gente não vai esperar o colapso, não vai esperar chegar a 100% da ocupação dos leitos. Hoje, a gente sabe que adotar medidas restritivas de circulação é fundamental para preservar vidas, diminuir as taxa de ocupação de leitos e garantir que a vacina cumpra o efeito de proteger as pessoas", afirmou Marília.

Contagem acumula três semanas consecutivas de taxa de transmissão (RT) em 1,06 (o que significa que, em média, cada 100 pessoas contaminadas transmitem a doença para outras 106 pessoas) e tem taxa de positividade de exames de Covid em 41%, maior índice desde o início da epidemia.

Medidas restritivas

De acordo com a Prefeitura de Contagem, o decreto com as novas regras de funcionamento da atividade econômica na cidade será publicado na noite desta segunda e passará a valer na quarta-feira, por 21 dias. 

Os detalhes das regras não foram informados, mas, de forma geral, a prefeitura explicou que manterá o funcionamento de serviços essenciais, como bares e restaurantes, porém sem consumo de bebidas ou alimentos no local. Serviços não essenciais, como lojas de roupas, não poderão funcionar.

Até então, e pelos últimos dois meses, a cidade permitia que clientes consumissem nos estabelecimentos. O que mudava é que esses locais precisavam abrir em dias determinados e com horário de funcionamento reduzido. 

Outra mudança que será discutida, mas não será adotada no momento, é  o chamado toque de recolher, que impede a circulação de pessoas no horário entre 20h e 5h. Conforme a prefeita, a cidade não aplicará a medida porque não surtiria efeito se adotada somente por Contagem. 

Outros serviços que continuarão funcionando são os da indústria, de supermercado e mercearias, com respeito às regras e protocolos. As igrejas poderão funcionar "com protocolos muito específicos", que não foram citados.

Atividades que impliquem na aglomeração de pessoas, como casas de shows, festas, boates, além de feiras livres, estarão impedidas de funcionar a partir de quarta pelos próximos 21 dias. Ao fim desse prazo, todas as medidas serão reavaliadas para averiguar a necessidade de renovação. Por fim, servidores da prefeitura que puderem atuarão em teletrabalho.
 
A prefeitura também informou que a fiscalização ao descumprimento das medidas continuará sendo feita pelos 400 guardas municipais, além dos agentes de postura e da Polícia Militar. O cidadão pode denunciar situações irregulares por meio do 153.

Reunião da Granbel

Vice-presidente da Granbel, Marília Campos informou que a reunião entre os 21 prefeitos da região metropolitana terminou sem consenso. Segundo ela, apenas 5 gestores votaram pela adoção da onda roxa do Minas Consciente nos municípios deles.

Marília defendeu a necessidade da aplicação espontânea das medidas mais rígidas previstas no Minas Consciente, programa estadual de flexibilização da atividade econômica, do Estado, mas não foi acompanhada pelos colegas. A prefeita não informou quais foram os prefeitos que votaram a favor e contra à medida.

Segundo ela, a adoção da fase roxa - que estipula toque de recolher entre 20h e 5h, e obrigatoriedade do uso de máscaras em quaisquer lugares - incluindo estabelecimentos públicos ou privados, só teria efeito se fosse adotada em conjunto entre os municípios.

"Ou existe uma articulação entre os municípios da região para aderir ou é inviável ser implementada apenas em uma cidade. Assim como também essa restrição de horário (toque de recolher), é impossível você colocar em Contagem, mas BH funciona. A pessoa trabalha até 22h no supermercado em BH e mora em Contagem", afirmou.

A adoção do chamado toque de recolher, no entanto, ainda será re-discutida pela Prefeitura de Contagem e a gestão não descartou que o método seja aplicado no futuro.

Em nota sobre a reunião de prefeitos, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que, "até o momento, não há previsão de mudança nos protocolos de Belo Horizonte".

O Hoje em Dia entrou em contato com a Granbel para obter mais informações sobre a reunião, mas ainda não obteve retorno.

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