O Ministério Público e a Polícia Civil deflagraram, na manhã desta sexta-feira (22), uma operação na Prefeitura de Ribeirão das Neves, na Grande BH, após investigação ter apontado indícios de atuação de uma organização criminosa, composta por empresários, agentes públicos e políticos, que executou crimes de fraude à licitação e de peculato.

A operação "Oitavo Círculo" apura desvios de R$ 4 milhões e 300 mil em recursos públicos cidade. Ao todo, foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão em quatro gabinetes na sede da prefeitura, além de empresas e casas de políticos, servidores e empresários de Ribeirão. Ninguém foi preso.

De acordo com o MP, a organização criminosa composta por esses agentes fraudou licitações e cometeu peculato (abuso de confiança pública), desviando recursos públicos mediante pagamentos por serviços não-prestados no setor de locação de máquinas pesadas.

Além de empresas e residências em Ribeirão das Neves, a operação apreendeu itens em Belo Horizonte, Ibirité, na Grande BH e Sete Lagoas, na região Central.

A sede da Prefeitura de Ribeirão das Neves foi revistada após autorização dada pela Justiça. A decisão judicial também permitiu ordens de bloqueio de valores no montante desviado.

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Oitavo Círculo

A operação foi executada por três promotores de Justiça, três delegados e 64 investigadores de Polícia Civil e 16 policiais militares do Batalhão de Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), de BH.

Os 22 mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca de Ribeirão das Neves. A ação é chamada de Oitavo Círculo, em referência a "A Divina Comédia", obra do escritor italiano Dante Alighieri, em que o inferno é descrito como um local formado por nove círculos concêntricos.

"No oitavo círculo do inferno estariam os fraudadores e corruptos, submergidos em um lago de espesso piche fervente; os que tentassem ficar com a cabeça acima do caldo seriam torturados por demônios, que os dilacerariam. Segundo o escritor, em vida os corruptos tiraram proveito da confiança que a sociedade depositava neles; no inferno estão submersos em caldos, pois suas negociações eram feitas às escondidas", afirma a explicação dada pelo Ministério Público.