MARIANA - O município de Mariana tem menos de dois meses para se planejar financeiramente e evitar um rombo nos cofres públicos em função da paralisação da atividade mineradora. A informação é do próprio prefeito Duarte Júnior (PPS), que concedeu entrevista coletiva nesta quarta-feira (11), após se reunir com representantes da Samarco Mineradora.

Além do temor de uma crise financeira, a prefeitura informou um levantamento preliminar dos prejuízos causados pelo rompimento de duas barragens, que destruíram casas e provocaram pelo menos seis mortes. Até o momento, estima-se um prejuízo de R$ 100 milhões. “São pontes e escolas destruídas e todo o dano ambiental causado”, disse Duarte Júnior.

Segundo ele, mais de 80% da arrecadação do município advêm da atividade mineradora. Por mês, são arrecadados R$ 4 milhões com a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), R$ 10 milhões de ICMS e 1,7 milhão de ISS. Para janeiro de 2016, já se calcula uma queda de 30% na arrecadação. Ao todo, existem 1.586 funcionários da Samarco empregados só na mina Germano. Destes, 736 moram em Mariana.

Para esses funcionários há uma sinalização de licença remunerada e férias coletivas. Porém, conforme o próprio prefeito, existem cerca de 2 mil empregados terceirizados e, para esses, não existe definição da garantia dos emprego. A Samarco não se pronunciou. A empresa dará uma coletiva ainda nesta quarta-feira (11).

“Sempre tiveram uma ótima saúde financeira. Estamos acreditando que eles vão assumir essas responsabilidade. É ter sensibilidade e entender que essa cidade mineradora também assuma responsabilidade por não ter feito uma diversidade econômica, que depende da atividade e que tem que caminhar junto nesta tragédia que tem manchado a nossa história".

Na reunião, o prefeito também afirmou que a Samarco paralisou as atividades da empresa em Ubu, no Espírito Santo.