A demora da Samarco na implementação de ações mais concretas para a reparação dos direitos das famílias e municípios atingidos pelo rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, Região Central, foi o principal ponto abordado por autoridades e prefeitos durante reunião da Comissão Extraordinária das Barragens da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta quarta-feira (13).

A tragédia, que no dia 5 de janeiro completou dois meses, matou 19 pessoas (duas ainda estão desaparecidas) e afetou diretamente 36 municípios mineiros.

Segundo o defensor público Vladimir Rodrigues, 182 famílias, que, juntas, somam 697 pessoas, devem ser reassentadas somente em Mariana, em virtude da destruição das localidades em que viviam.

Desse total, 99% das famílias já foram realocadas pela empresa para casas de aluguel. Na avaliação do defensor, embora a Samarco não se furte de suas responsabilidades, a atuação da empresa precisa ser mais ágil.

Entre as questões consideradas pelo defensor público como imprescindíveis de serem solucionadas estão as indenizações e o reassentamento das pessoas que perderam suas casa, a situação das populações ribeirinhas atingidas, além da questão ambiental e do patrimônio cultural afetado.

A defensora pública Luciana Leão Lara, que representou a defensora pública-geral do Estado, Christiane Neves Procópio Malard, afirmou que, em reunião realizada com a Samarco na última terça (12), a empresa pontuou a intenção de construir um programa de indenização às famílias, do qual o reassentamento seria uma das etapas.

Outro ponto destacado é que a Defensoria Pública constatou que poucas pessoas estariam sendo beneficiadas pelo cartão-auxílio, que corresponde a um salário mínimo, acrescido de 20% por dependente, e é pago temporariamente pela Samarco às famílias que perderam suas fontes de renda.