Capacitar jovens para encarar problemas no trabalho e, claro, solucioná-los é um dos principais desafios do ensino superior na atualidade. Diante de um cenário de mudanças sociais e de um mercado cada vez mais restrito e competitivo, é essencial que os estudantes deixem a universidade capazes de pensar processos e propor saídas. O gestor educacional está no centro dessas transformações e deve fazer a ponte entre a sala de aula e o mundo lá fora.

O assunto será um dos temas de um congresso gratuito destinado a diretores de instituições e membros de secretarias de educação. O evento ocorrerá em Belo Horizonte, no próximo sábado, no Ouro Minas Palace Hotel. Organizado pela editora Moderna, trata das tecnologias e da reinvenção do papel do administrador de ensino.

“Temos um novo modelo civilizatório para o qual devemos preparar os currículos. Hoje, não existem muitos empregos estáveis, as carreiras especializadas e estruturadas desaparecem e o mercado exige, cada vez mais, que a pessoa tenha a competência de sintetizar problemas diversos e dar alternativas”, explica Miguel Thompson, diretor do Instituto Singularidades, que forma professores, gestores e especialistas da área. Ele será um dos palestrantes do evento.

O universitário deve ser capaz de agir como um “leitor de cenário”, ressalta Thompson. Segundo o especialista, é função do gestor fazer com que a instituição de ensino estimule a formação de um aluno investigador e criativo.

“Temos um novo modelo civilizatório para o qual devemos preparar os currículos” (Miguel Thompson, diretor do Instituto Singularidades)

Diversidade 

Para isso, é preciso saber lidar com dois tipos diferentes de público: jovens que chegam ao ensino superior com boa bagagem cultural, mas que têm pouca vivência em resolução de conflitos, e estudantes com dificuldades conceituais, mas que passaram por experiências transformadoras.

“Antigamente, o diretor ficava afastado. Agora, é preciso que ele se movimente na universidade, acesse as redes sociais, os canais de comunicação com os estudantes e identifique as demandas dos diferentes grupos sociais, que querem afirmar a própria identidade. Está chegando na faculdade uma moçada com grande conhecimento e domínio da cultura digital. Isso precisa ser valorizado”, observa.

Coordenador das Consultorias Hoper de Educação, Caio Polizel corrobora. “É preciso, ainda, saber lidar com estudantes de várias gerações. No mesmo ambiente temos graduandos mais velhos e mais novos, e também com o próprio corpo de funcionários, que igualmente tem diversidade geracional. Esses pontos são grandes desafios”, acrescenta.

Thiago Muniz

Thiago Muniz afirma que o papel do gestor evoluiu e é cada vez mais multidisciplinar

Multidisciplinar

A renovação do papel do gestor também é destacada por Thiago Muniz, Diretor Executivo da Faculdade Promove. Ele reforça que as exigências do mercado de trabalho estão em constante mudança e representam o grande desafio da formação dos profissionais da gestão.

“Preparar o estudante para uma profissão que ainda não tem nome é desafiador. Por isso, as instituições de ensino têm que estar afinadas com os mais modernos processos gerenciais e com os impactos das novas tecnologias na vida das organizações. Nossos professores e corpo técnico buscam trazer para a sala de aula experiências cada vez mais multidisciplinares, propondo problemas reais enfrentados pelas empresas e estimulando os alunos a buscarem solução. É a forma de tornar o acadêmico protagonista de sua própria aprendizagem”, afirma. 

Segundo ele, competências como criatividade, saber trabalhar em equipe, inteligência emocional e capacidade de resolver problemas são as que os recrutadores mais procuram. “Um profissional capaz de se adaptar a mudanças e propor soluções agregando várias áreas do conhecimento, é isso que as matrizes curriculares devem almejar na formação de gestores”, acrescenta Muniz.

Congresso

O congresso “Como se reinventar para fazer uma educação transformadora” será realizado a partir das 8h30, no Ouro Minas Palace Hotel, no bairro Ipiranga, região Nordeste de Belo Horizonte. Os debates devem ir até as 13h.

Ainda na programação, dois gestores escolares irão abordar os desafios da função. O debate será mediado pelo jornalista especializado em educação Antônio Góis, autor do livro “Quatro Décadas de Gestão Educacional no Brasil”. A obra traz depoimentos de ex-ministros da Educação.

O escritor de livros infantojuvenis Pedro Bandeira e o velejador Lars Grael também são palestrantes.