Morreu na madrugada deste domingo (19), aos 93 anos, o empresário mineiro Murillo Mendes, presidente da construtora Mendes Júnior. De acordo com o advogado da empresa, José Murilo Procópio de Carvalho, o empreiteiro se recuperava bem de uma cirurgia no fêmur, realizada na semana passada, quando sofreu um infarto fulminante durante a madrugada. 

Ainda segundo o advogado, os familiares se despediram de Murillo Mendes em uma cerimônia íntima, que aconteceu neste domingo. "Minas Gerais perdeu uma de suas maiores reservas de intelectualidade e empreendedorismo. Um homem simples, de trato ameno, que deixou sua contribuição para o progresso do país", lamentou Procópio de Carvalho, que presta assessoria jurídica à Mendes Júnior há mais de 20 anos. 

Filho de José Mendes Junior, fundador da construtora, criada em 1953, Murillo Mendes estava à frente dos negócios há mais de 40 anos, tendo comandado construções importantes como da Ponte Rio-Niteró e das usinas hidrelétricas de Itaipu e Furnas. "Ele também foi responsável por abrir o Brasil para o exterior, com a execução de obras no Iraque e na África", ressaltou o advogado. O empreiteiro, que havia perdido a mulher, Lúcia Mendes, há dois meses, estava afastado da presidência da empresa desde o ano passado, mas ainda participava dos processos de decisão.

Lava-Jato 

A Mendes Júnior é uma das empresas investigadas pela Operação Lava-Jato. No dia 13 deste mês, a Polícia Federal (PF) determinou a prisão do sobrinho de Murillo Mendes, Sérgio Cunha Mendes, um dos principais executivos da construtora, condenado a mais de 20 anos de prisão por contratos irregulares com a Petrobras. 

Além de Sérgio, foram condenados os ex-executivos Rogério Cunha Oliveira e Alberto Elísio Vilaça Gomes, denunciados depois da sétima fase da operação, em novembro de 2014. O processo investigou contratos suspeitos da empreiteira com a estatal em obras como da Refinaria Gabriel Passos e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Recuperação

Em abril de 2016, a Mendes Júnior aprovou um plano de recuperação judicial da empresa, motivada por uma dívida de R$ 258 milhões, valor informado à época. O montante inclui indenizações trabalhistas a quase dois mil ex-empregados, além de créditos contratados junto a credores,  fornecedores e instituições financeiras.