Setenta e seis dias após o maior desastre ambiental ocorrido no Brasil, o diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, pediu afastamento do cargo. Além dele, Kleber Terra também não exerce mais as funções no comando de operações da empresa. A informação foi divulgada pela mineradora no fim da tarde desta quarta-feira (20).

Conforme a Samarco, o Conselho de Administração aceitou a licença temporária dos dois executivos que, a partir de agora, vão "se dedicar às suas defesas". Em nota enviada à imprensa, a Samarco reforçou que o afastamento aconteceu "após concluídas as primeiras etapas de atendimento emergencial ao acidente" e garantiu que "todos os compromissos já assumidos e as ações em curso serão rigorosamente mantidos".

No lugar deixado por Vescovi, assume interinamente o então diretor comercial, Roberto Carvalho. A função de diretor de operações será exercida provisoriamente pelo diretor de projetos e ecoeficiência, Maury de Souza Junior, que passa a acumular as funções.

Tragédia

O rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco ocorreu no dia 5 de novembro, provocou mortes, destruiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, deixou desalojados e gerou um mar de lama que avançou até o Estado do Espírito Santo, atingindo rios e praias. O desastre é considerado a tragédia ambiental mais grave do país.

Currículo

De acordo com a Samarco, Roberto Lúcio de Carvalho tem 57 anos e é formado em Metalurgia pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e mestre em Tecnologia Mineral pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Ingressou na Samarco em setembro de 1985 como engenheiro de processos, e esteve à frente de funções estratégicas das operações na pelotização na unidade de Ubu, no Espírito Santo.

Em agosto de 2000, liderou a implementação da área comercial, tornando-se  diretor comercial em dezembro de 2001.