Três vezes por semana, a aposentada Aresia Vanda do Carmo, de 53 anos, sai às 4h30 de Ribeirão das Neves, na Grande BH, para fazer hemodiálise no bairro Santa Efigênia, na região Leste da capital. Dependente do tratamento, quando deixa o hospital ela encontra mais um problema: precisa esperar o ônibus de volta em um ponto improvisado na rua Ceará.

Não era para ser assim. Um terminal que vai receber as linhas do Move metropolitano está sendo construído desde abril de 2014 na avenida Bernardo Monteiro, entre Francisco Sales e Andradas. Os trabalhos foram suspensos dois meses depois, na gestão passada do governo estadual, e retomados em julho de 2015. Após um ano, a estrutura ainda não está pronta e atingiu 47% da construção. A previsão de entrega que era para janeiro de 2015 agora é prevista para o fim do segundo semestre de 2016. O orçamento inicial pulou de R$ 9,3 milhões para R$ 10,3 milhões.

No início do mês, em Santa Luzia, na região metropolitana, foi inaugurada a estação do Move Ubajara

“Às vezes saio do hospital com a pressão baixa e venho para o ponto esperar meu ônibus na chuva ou no sol. Não tem nem mesmo um abrigo provisório, essencial para a gente que vem consultar”, reclama Aresia. Ela relata desânimo só de imaginar a jornada e os transtornos utilizando o transporte público e conta os dias para a inauguração do terminal. “Não só pelo conforto. Aqui, na beira da esquina, a gente não tem segurança nenhuma. Nunca me aconteceu nada, mas a gente fica com medo”. 

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A maioria das linhas do Terminal Bernardo Monteiro opera hoje em um puxadinho na rua Aarão Reis, na Praça da Estação, no hipercentro. O espaço é cercado apenas por uma tela de arame e uma plataforma improvisada. Em média, são 3,8 mil passageiros no horário de pico e 40 linhas de ônibus que passam diariamente pelo local.

Retomada

O terminal Bernardo Monteiro faz parte de um pacote que inclui outros três na região metropolitana e, suspensos, tiveram as obras retomadas em julho do ano passado: São Benedito (Santa Luzia), Justinópolis (Ribeirão das Neves) e Morro Alto (Vespasiano). Só nos dois últimos casos, as obras ao custo de R$ 48,7 milhões foram concluídas. As estações já estão funcionando.

As intervenções do terminal São Benedito deveriam estar prontas desde o ano passado, mas atrasaram por conta da paralisação e agora estão 97% finalizadas. A previsão é a de que os cerca de 36 mil passageiros que utilizam as linhas diariamente precisam esperar os ônibus na estação provisória até setembro.

A Secretaria de Transportes e Obras Públicas (Setop) promete uma estrutura com 52 mil metros quadrados. Serão duas plataformas para linhas alimentadoras e outras duas para as troncais.

Também terá um prédio de apoio técnico e aos motoristas, pátio para estocagem de ônibus, banheiros, bicicletários, guaritas e segurança com circuito interno de TV. O investimento previsto é de R$ 23,4 milhões.
 

Estação Move em Justinópolis

Obra concluída - Terminal em Justinópolis foi finalizado em março deste ano


Usuários aprovam estações em funcionamento na Grande BH

Quem utiliza os terminais já concluídos aprova a facilidade. É o caso da estudante de magistério Renata Marcele dos Santos, de 43 anos, usuária da estação Morro Alto, em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Moradora do bairro Célvia, ela precisou levar a filha de 1 ano e 9 meses ao médico no centro da capital mineira. O número de ônibus necessários para sair ou chegar em casa aumentou de dois para quatro, mas o desgaste foi compensado com conforto.

“Melhorou muito. No ponto provisório não tinha abrigo, a gente esperava o ônibus no passeio, debaixo de uma placa. Aqui tem cadeira, tem cobertura, tem tudo”, destaca.

Cômodo

A estudante de administração Graciele de Morais acha o terminal cômodo. Morando há dois anos no bairro Nova Pampulha, também em Vespasiano, ela utiliza o terminal Morro Alto diariamente para ir à faculdade.

“Não tem problema na estrutura física aqui. Poderia aumentar o número de ônibus, mas a estrutura tem muitos bancos, tem bebedouro, cobertura. Oferece condições mínimas de conforto para quem fica aqui pouco tempo”, avalia.

Concluída em março deste ano, a estação Justinópolis, em Ribeirão das Neves, tem hoje 8,28 mil metros quadrados e a mesma estrutura operacional prometida para o terminal Bernardo Monteiro, na capital mineira. Por lá, a média de passageiros agora gira em torno de 32 mil por dia.