“Se o bandido tomar o cuidado de não bater o carro, ele pode rodar todo o Estado com o veículo recheado de drogas, sem ser incomodado”. A afirmação é de um patrulheiro da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Minas, que denuncia o sucateamento da instituição. A justificativa para a “livre circulação de infratores” está na falta de policiais para fazer a fiscalização nas BRs mineiras.


Por causa do baixo contingente, é feita uma escolha: os agentes ficam nos postos para atender às ocorrências de acidentes e não atuam na função preventiva. Com isso, criminosos circulam livremente nas estradas federais.

Cobertor curto

A delegacia metropolitana da PRF em Minas tem quatro postos: dois na BR-381 e dois na BR-040. Há 106 patrulheiros para todos os turnos, mas 13 (12,26%) estão de licença médica, a maioria por estresse.

“O plantão é feito, geralmente, por três patrulheiros. Não podemos sair para uma blitz de fiscalização porque, se houver um acidente, não teremos gente para atender, já que um de nós tem que ficar no posto”, alega o policial, que preferiu não se identificar. A viatura só pode deixar a unidade com dois agentes.

No caso do posto que fica na BR-040, em Nova Lima, na região metropolitana, os patrulheiros são responsáveis por uma área de 50 quilômetros. “É comum termos vários acidentes na mesma hora. As pessoas têm que vir ao posto e esperar o atendimento”, conta o agente.

Tecnologia em vão

Outro problema são as falhas no sistema de comunicação. Os policiais têm rádios HT, mas só conseguem se falar usando o próprio celular.

“O rádio funciona somente em um raio de 20 quilômetros. Para checar dados dos veículos e dos motoristas, temos que usar o nosso telefone”, afirma outro patrulheiro. O EDA, computador portátil para levantamento de dados, sofre panes com frequência.

Cada aparelho custou R$ 10 mil. “No início, foi uma maravilha, mas, agora, raramente conseguimos fazer funcionar”. O posto tem três equipamentos, todos na mesma situação.

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