Testemunhas do caso do tatuador Leandro Caldeira, preso em março deste ano suspeito de assediar mulheres em seu estúdio na Savassi, região Centro-sul de Belo Horizonte, estão sendo ouvidas pela Justiça pela primeira vez na tarde desta quarta-feira (26) na 3ª Vara Criminal do Fórum Lafayette, na capital mineira.

O processo corre em segredo de Justiça e, por isso, não foi permitido que a imprensa acompanhasse a audiência. No entanto, o Hoje em Dia conversou com a professora e ativista Duda Salabert, que canalizou e divulgou as primeiras denúncias em seu Instagram e esteve no Fórum para dar apoio às testemunhas intimadas para depor sobre o caso. De acordo com ela, cerca de cinco vítimas já estavam no local aguardando para contarem suas versões ao juiz.

"Como professora, eu sei que a punição é importante, mas mais importante ainda é a educação. Eu vejo de forma positiva essa repercussão que o caso tomou porque ele assumiu um caráter pedagógico, educativo, de ensinar pra tatuadores e outros profissionais que os corpos das mulheres não podem ser violados, não podem ser assediados, que isso é crime", ponderou.

De acordo com Duda, há uma tensão muito grande entre as mulheres que estão no Fórum para prestar depoimentos, já que elas se preparam para revisitar um episódio traumático em suas vidas. "É por isso que desde o começo das denúncias conseguimos apoio psicológico para acalentar essas mulheres", contou.

 

Leandro foi preso no dia 31 de março deste ano após a Polícia Civil concluir o inquérito que investigou o assédio a 15 vítimas. O tatuador foi denunciado por assédio sexual e na audiência desta quarta serão ouvidas primeiramente as testemunhas e, se houver tempo, o réu.

Duda concedeu uma pequena entrevista ao Hoje em Dia e comentou, também, um pouco sobre o impacto das denúncias de assédio. Confira no vídeo:

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