A vacinação das crianças de 5 a 11 anos começou neste sábado (15) com movimento tranquilo nos centros de saúde de Belo Horizonte. Neste primeiro momento estão sendo vacinados os pequenos com algum tipo de comorbidade. Segundo a PBH, a expectativa é vacinar cerca de 13.500 crianças com comorbidades e portadoras de alguma deficiência.

No Centro de Saúde Santa Rita de Cássia, no São Pedro, região Centro-Sul da capital, o publicitário Estevan Paiva, de 42 anos, ficou tão ansioso por poder vacinar o filho Arthur, de 6, que era o primeiro da fila. Depois do recebimento da dose, era só alegria.

Estevan Paiva e arthurO publicitário Estevan Paiva era só alegria após vacinar o filho Arthur, de 6 anos

"Completamente aliviado. A expectativa era muito grande para este dia, para vacinar as crianças. A vacinação é sempre tranquila. A criançada tem medo, mas é muito rápido", conta o publicitário.

Arthur diz que foi tranquilo receber o imunizante. "Eu tive um pouco de medo, mas doeu mais ou menos. É tipo a picada de uma formiga".

Quem também não escondia a alegria por ter vacinado o filho Arthur, de 10 anos, era o casal Caroline e Henrique Barbosa. "Se pudesse, a gente abria o portão do posto de saúde. Quase dois anos de resiliência, especialmente para as crianças, que a gente via como foi difícil para eles passarem por isso. Mas, hoje, o baixinho foi o primeiro a ficar de pé", comenta o pai.

A mãe, ao ser questionada sobre a sensação de ter vacinado o pequeno, não escondeu as lágrimas. "Eu estou mesmo emocionada. Ele tem bronquite asmática e foi muito recomendado pra gente a vacina. É um alívio muito grande. Torcendo para a segunda dose chegar rápido".

Caroline barbosa Henrique Barbosa e arthur barbosa

A escritora Caroline Barbosa, o filho Arthur, de 10 anos, e o marido Henrique exibem com orgulho o cartão de vacinas atualizado com a dose contra Covid-19

Como era de se esperar, Arthur disse ter ficado com medo antes de receber o imunizante, mas ainda assim, era algo muito esperado. "Eu sei que vou ficar bom, mas não gosto de agulha. O problema não é a vacina, mas a dor que posso sentir. Depois eu fico de boa. Já tô até querendo ir pra festa, ir pro estádio comemorar", conta ele, que completa, afirmando que vai dalar para os colegas também vacinarem.

No Centro de Saúde Camargos, região Noroeste de BH, a Emanuele, de 7 anos, revela que tem bronquite asmática e que está feliz de ter sido imunizada. Ela diz que sentiu um pouco de medo, mas que a vacinação não doeu. "Eu estava muito ansiosa porque toda minha família já tinha tomado e eu não, estava esperando", relata.

Laura Aparecida Abrantes da Silva, de 46 anos, mãe da Emanuele, afirma que ver a filha imunizada é um alívio. "Pra mim foi ótimo porque ela vai pra escola e fico preocupada por ela não se cuidar direito lá", conta.

Vacinação crianças

Emanuele, 7 anos, estava com medo, mas conta que a vacina não doeu

A administradora de empresas Priscila do Reis Marinho Brandão, de 39 anos, se diz aliviada por poder vacinar a filha Valentina, de 8. A criança nasceu com uma cardiopatia congênita e já passou por quatro cirurgias. "Estávamos extremamente ansiosos. Hoje, chegar aqui e ter essa oportunidade dela ser vacinada é um sentimento de gratidão", diz a mãe.

Durante os dois anos da pandemia, ela restringiu a filha em todos os momentos, principalmente na escola. O único contato de Valentina com outras crianças foi com os primos, mesmo assim, de máscara e com distanciamento. Apesar de ser a primeira dose, a mãe conta que, agora, respira com mais tranquilidade.

Dose pediátrica
O diretor de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica da PBH, Paulo Roberto Correa, explicou a diferença entre a vacina dos adultos e da população infantil, ambas da Pfizer. "É a mesma usada em adultos, mas a concentração é menor, 1/3 da usada no público acima de 12 anos".

Para os pais que ainda estão com receio de imunizar os filhos, o diretor explica que estudos mostram que mais de 90% das crianças não apresentaram nenhuma reação grave. "Qualquer vacina pode apresentar algum  tipo de reação. Com esta, algumas crianças relataram um pouco de dor no local, febre baixa ou um mal estar passageiro, mas que passa dentro de 24 ou 48h, sem uso de medicação", esclarece Correa.

Diante do aumento de casos confirmados de Covid-19 no país e da alta transmissão da variante Ômicron, o representante da PBH insiste que pais e responsáveis levem as crianças para vacinar. "É extremamente importante que as crianças sejam vacinadas. A gente sabe que elas adoecem, que podem contrair Covid-19, algumas inclusive podem precisar de internação e infelizmente até evoluir para óbito. A vacina é muito segura, eficaz e já foi testada em vários países, não apresentando reações graves. Não temos dúvidas que é uma vacina segura e pode ser aplicada na população infantil".

Está semana a PBH anunciou que serão implantados postos de vacinação também nas escolas. Segundo o especialista, a ação está em fase de avaliação e  estudos. Nessa sexta-feira (14), a Prefeitura começou a contatar escolas parceiras para definir quais irão apoiar a vacinação das crianças.

A PBH informou que aguarda novas remessas das doses pelo Ministério da Saúde para ampliar para outros públicos infantis.

Confira a programação da primeira fase da vacinação infantil na capital:

  • Dia 15/01, sábado: 1ª dose para crianças com comorbidades, deficiência permanente, indígenas ou quilombolas de 5 anos a 11 anos, completos até a data da vacinação
  • Dia 16/01, domingo: não haverá vacinação
  • Dia 17/01, segunda-feira: início da aplicação da primeira dose para crianças acamadas ou com mobilidade reduzida de 5 a 11 anos completos até a data da vacinação. A imunização será feita em domicílio. Neste dia não haverá aplicação de vacina para nenhum outro grupo prioritário ou faixa etária
  • Dia 18/01, terça-feira: novamente, aplicação da primeira dose para crianças acamadas de 11 a 5 anos completos, até a data da vacinação

Em BH, a imunização é exclusiva para os Centros de Saúde, das 8h às 14h. Os endereços podem ser conferidos no site da Prefeitura.

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