Abrir um negócio, vender ações, fazer planilhas e distribuir lucro – ou prejuízo – não são funções atribuídas apenas a pessoas adultas. Estudantes com idades entre 15 e 18 anos também se enveredaram no mundo empreendedor e aprenderam, na prática, trâmites para criar empresas e gerir rendas.

Todo o processo foi visto em sala de aula de escolas da rede estadual. O resultado está sendo apresentado, até hoje, na Feira Meu Primeiro Negócio, no Minas Shopping, na região Nordeste da capital. A iniciativa é uma parceria entre as secretarias de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes) e de Educação (SEE).

Em 2018, o projeto atingiu cerca de 12 mil adolescentes em mais de 200 cidades mineiras. Um dos objetivos é possibilitar aos alunos vivenciar o dia a dia de um negócio. Chance que teve Emanuele Sabrine, de 17 anos, presidente da Best Choices.

A empresa criada por ela e pelos colegas produz luminárias ecológicas a partir de garrafas pet e borra de café. “Minha função é representar os cerca de 80 acionistas, que investiram R$ 10 cada um. Passo todas as informações a eles e ajudo a gerenciar os funcionários”, descreve a jovem, que estuda em uma escola de Itaúna, na região Centro-Oeste.

Coordenador do programa na instituição de ensino, Fernando Ribeiro destaca o amadurecimento dos alunos nas últimas semanas, quando ocorreram as oficinas do projeto. “Empreender é importante, ainda mais nessa fase, pois o mercado de trabalho está bem próximo a eles”.

Neste ano, 400 escolas de 203 cidades mineiras foram selecionadas para o projeto Meu Primeiro Negócio. Ao todo, 12 mil alunos participaram da iniciativa

Experiência

Manusear planilhas e lidar com as reviravoltas no plano de negócios foram as maiores dificuldades relatadas por Gabrielle Vale, de 15 anos. Representante da Saboneteen, a adolescente contou que, apesar das adversidades, a venda dos sabonetes personalizados com broches tem sido recompensadora. 

“É uma satisfação muito grande vir de Divinó-polis (Centro-Oeste) para BH e oferecer nosso produto. Com a renda, ajudaremos uma unidade na nossa cidade que oferece abrigo e outros serviços a animais”, contou.

Os sabonetes chamaram a atenção da servidora pública Simone de Souza, de 32 anos. “Essa oportunidade dá protagonismo a eles para exercerem cidadania. Iniciativas assim levam os nossos adolescentes e jovens a serem cidadãos de bem, fazendo diferença nos espaços onde vivem”.

Simone aprovou os mimos que comprou. “São muito cheirosos. Uma delícia!”.

Feira meu primeiro negócio saboneteen
A servidora pública Simone aprovou os sabonetes que comprou dos alunos de escola de Divinópolis

Agradou

O programador Daniel Nascimento, de 33 anos, também aproveitou a feira para adquirir alguns chaveiros confeccionados pela Inovart, desenvolvida por estudantes de uma escola de Viçosa, na Zona da Mata. “Os produtos são muito bons, e conhecer a trajetória deles, até aqui, é muito interessante”, comentou. 

A boa receptividade dos clientes incentivou a presidente da startup, Franciele Helena, de 18. O grupo já até lançou um aplicativo para comercializar os chaveiros on-line. “Queremos que a nossa empresa, criada agora, faça parte do nosso futuro”. 

Esse sentimento, inclusive, é o que o projeto quer despertar nos alunos do ensino público, garante a coordenadora do programa na Sedectes, Jéssica Rangel. “Nossos objetivos são fomentar, oferecer e nortear os estudantes a desenvolverem um comportamento empreendedor”.

Aplicativo feira chaveiro meu primeiro negócio
 Alunos de Viçosa criaram aplicativo para vender os chaveiros produzidos no projeto