Curva crescente de contágio do novo coronavírus, subnotificação e baixo número de testes. Esses foram alguns dos argumentos que fizeram centenas de professores da UFMG assinarem um documento pedindo a manutenção do isolamento social em Belo Horizonte. Conforme o abaixo-assinado, a medida é a "única forma, até o momento, capaz de evitar o colapso do sistema de saúde em nossa cidade e Estado, impedindo a superlotação dos leitos hospitalares disponíveis".

Além disso, os docentes alegam que a cidade vive uma "falsa sensação de segurança" por causa dos baixos números de contaminação. Contudo, argumentam que "sabemos através de estudos conduzidos por universidades brasileiras e estrangeiras, que existe um grande número de subnotificações e baixo número de testes".

O documento foi divulgado pelo Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco (APUBH-UFMG). Nele, os docentes reconhecem a dificuldade para população em seguir o confinamento, mas defendem que não há outra maneira de conter a transmissão do novo coronavírus. O uso de máscaras caseiras de proteção e lavagem constante das mãos também são medidas destacadas como necessárias.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), BH tem 31 mortes e 1.129 confirmações da Covid-19.

UFMG
Professores da UFMG são contra a flexibilização do isolamento social

Confira abaixo a integra do abaixo-assinado:

Nós, Professoras e Professores da Universidade Federal de Minas Gerais e Campus Ouro Branco (UFSJ), abaixo assinados, viemos a público defender a manutenção do distanciamento social, além das medidas sanitárias como lavagem de mãos e uso de máscaras caseiras e do reforço na distribuição de equipamentos de proteção individual (EPI) para profissionais de saúde, como imprescindíveis para a contenção do avanço da pandemia do COVID-19 em nosso país. 

É possível que, diante das exigências do cotidiano e das incertezas do momento atual, muitas pessoas percebam o isolamento social como uma medida incômoda e sem sentido, no entanto, essa é a única forma, até o momento, capaz de evitar o colapso do sistema de saúde em nossa cidade e estado, impedindo a superlotação dos leitos hospitalares disponíveis. 

Declaramos que somos totalmente contra a flexibilização das medidas de distanciamento social e retomada das atividades econômicas neste momento, em função de estarmos em um estágio ascendente da curva de contágio e com um grande número de infectados e mortes (no dia 13 de maio foram 749 novos óbitos, oficialmente totalizando 13.149 desde o início da pandemia), o que nos coloca à frente da China em número de mortos, mesmo aquele país tendo uma população oito vezes maior que a nossa. 

Ademais, sabemos através de estudos conduzidos por universidades brasileiras e estrangeiras, que existe um grande número de subnotificações e baixo número de testes, o que nos confere a falsa sensação de segurança. Por fim, compreendemos ser urgente que os Governos acelerem o acesso da população à renda básica para que possa proteger as suas vidas ficando em casa, evitando a saída de suas residências.

Assim, reforçamos que o retorno às atividades só deve acontecer no momento oportuno, indicado pelas autoridades de saúde, quando houver diminuição do risco sanitário. Ainda assim, esse retorno deve ser feito de forma gradual e monitorada, de forma a ser suspenso se necessário, como vem sendo feito em outros países.

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