Se houver mais um mês de isolamento social, o pico de infecções por Covid-19 poderá ser adiado em dois meses, evitando uma maior sobrecarga no sistema de saúde local. Essa é uma das justificativas para se manter o isolamento social por mais tempo em Minas Gerais apresentadas em um artigo, publicado neste domingo (10), por seis professores da Faculdade de Medicina UFMG.

O artigo “Por que ainda não é o momento de flexibilizar o isolamento social em Minas Gerais” apresenta nove motivos para que o isolamento social seja mantido pelo poder público e pela população. São eles:

1) A transmissão do vírus no Brasil ainda não está controlada;

2) Nosso sistema de saúde ainda não está detectando, como deveria,  as pessoas com Covid-19 em Minas Gerais (“subnotificação”);

3) Ainda não há um planejamento para a realização de testes em amostra representativa da população;

4) É necessário aprimorar a sistematização e a transparência das informações relativas aos serviços de saúde (profissionais, disponibilidade de leitos, insumos de EPI, respiradores);

5) Os protocolos com as medidas preventivas e de controle em ambientes de trabalho, espaços públicos e escolas ainda não foram amplamente divulgados e debatidos nos diversos setores da nossa sociedade;

6) É insuficiente ainda o investimento em campanhas que promovam o engajamento da população e conscientização para adesão às medidas preventivas;

7) É preciso esclarecer como será a vigilância e o controle de possíveis novos casos importados de outras cidades e estados;

8) A “imunidade de rebanho” (alcançada quando a proporção de indivíduos suscetíveis, ou seja, que não se infectaram, é muito baixa) não ocorrerá tão cedo;

9) Ainda não há suficiente alinhamento da política de prevenção entre o nível federal e estadual para garantir ações coordenadas e efetivas.

Os nove pontos foram enumerados a partir de recomendações feitas pela Organização Mundial da Saúde para países que desejam flexibilizar as medidas de enfrentamento à pandemia. Com a retomada das atividades de comércio, indústria e educação, o temor é por um aumento muito grande no número de casos, saturando os leitos disponíveis.

O documento é assinado pelos professores Cláudia Regina Lindgren Alves, Cristina Gonçalves Alvim, Elaine Machado, Luana Giatti, Sandhi Maria Barreto e Unaí Tupinambás. Para eles, é preciso encontrar um equilíbrio entre retomar gradualmente as atividades econômicas e a manutenção de uma baixa taxa de transmissão do vírus.

“Mesmo que haja a flexibilização do isolamento social, políticas de controle, como distanciamento físico, e mudanças de comportamento (higienizar as mãos, usar máscaras, evitar aglomerações, trabalhar remotamente) deverão ser mantidas por meses, ou até que tenhamos vacinas ou medicamentos eficazes e acessíveis”, diz o texto.

O artigo é apresentado no momento em que o Estado coloca em prática o programa Minas Consciente, desenvolvido para estabelecer um maior controle na flexibilização que já vem ocorrendo em boa parte dos municípios em Minas. Até este domingo, já foram contalizados mais de 3,2 mil casos confirmados no Estado, além de 129 mortes.