Na linha de frente no combate ao coronavírus, médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem denunciam a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) em unidades de saúde da capital mineira. Há escassez, segundo os profissionais, de produtos básicos como luvas, máscaras e álcool em gel.

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel) registrou queixas em hospitais, postos de saúde, prontos-socorros e unidades de pronto atendimento. A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), no entanto, nega a falta. Apesar dos relatos ouvidos pela reportagem, a pasta garante que as entregas estão regulares na cidade.

No Centro de Saúde Cafezal, na região Centro-Sul, trabalhadores dizem ter sido aconselhados a reutilizar máscaras cirúrgicas por mais de um plantão. “Está bem restrito. Tem acesso ao equipamento quem tem paciente com suspeita respiratória ou faz atendimento direto ao público. Mesmo assim, a gente tem sido orientado a reutilizar até por dois dias”, disse uma técnica em enfermagem.

O Sindibel também identificou problemas no Samu, onde estariam sendo distribuídas quatro máscaras por equipe, por plantão de 12 horas, para três trabalhadores (dois técnicos de enfermagem e um motorista), o que seria insufciente para atender a toda a demanda. 

Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Pampulha, o Sindibel recebeu denúncia de que havia sido estabelecida regra de uma máscara cirúrgica por pessoa a cada seis horas. O recomendado é a fazer a troca a cada duas horas.

Sem falta

Em nota, a SMSA informou que mantém as compras para abastecer os estoques e os fornecedores estão com as entregas regulares. O órgão disse que faz o uso racional destes insumos e preconiza a indicação do uso da máscara N95 para os profissionais que mantém contato direto com os pacientes com sintomas de doenças respiratórias fazerem.

“Profissionais que realizam o atendimento da linha de frente nos Centros Especializados, UPAs e Centros de Saúde, como triagem, recepção e enfermeiros que se encontram na classificação, fazem uso das máscaras cirúrgica”, informa a nota envida.

Problema nacional 
De acordo com a Associação Médica Brasileira (AMB), até essa quinta-feira (2), foram feitas 2.622 denúncias sobre falta de EPIs contra a Covid-19 em todo o país. Com 48 queixas, Belo Horizonte é a sexta cidade com mais reclamações, atrás de São Paulo (855), Rio de Janeiro (148), Porto Alegre (128), Brasília (73) e Belém (63).

“Os insumos que estão faltando são básicos: luvas, óculos, escudos faciais, aventais. Nós temos grande capacidade nas indústrias espalhadas no país, industrias que não produzem este tipo de insumo, mas, mediante solicitação, orientação e incentivos governamentais, elas podem mudar rapidamente a linha de produção e passar a produzir”, destacou Lincoln Lopes Ferreira, presidente da Associação Médica Brasileira.

O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, admitiu, nessa quinta-feira (2), novamente o problema e revelou a dificuldade em comprar os equipamentos da indústria chinesa, que interrompeu a venda no início da pandemia. 

"Eu já expliquei várias vezes. A partir do momento que a China anuncia o problema dos casos, logo na sequência, ela fecha a exportação. Ela produz somente pro mercado interno da China. Isso faz com que todo o mercado global, e ela produz mais de 90% dos equipamentos que são adquiridos no mundo, aguarde. Até que, em questão de 15, 16 dias, ela volta a abrir o mercado. Não se constrói uma indústria com matéria-prima, máquinas e rodagem com 15 dias, com 20 dias, com 30 dias. Às vezes, isso leva um bom tempo pra se fazer”, explicou Mandetta. 

Como denunciar
A Associação Médica Brasileira disponibiliza uma plataforma para reclamações aos profissionais da saúde. No site da AMB, médicos e enfermeiros podem relatar de forma anônima os problemas. 

Também na plataforma, é possível acompanhar as informações sobre a denúncia. Os estabelecimentos que informarem a solução serão retirados da lista, que apresenta detalhes sobre os EPIs que faltam em cada local.

Outra maneira é pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que criou uma plataforma na internet  para que médicos com pacientes vítimas da Covid-19 possam relatar más condições de trabalho em hospitais da rede pública ou privada, postos de saúde, prontos-socorros e unidades de pronto atendimento.