Uma década é o tempo mínimo estimado para a recuperação ambiental de Bento Rodrigues, distrito de Mariana, na região Central de Minas, e das outras áreas atingidas pela lama que escorreu das barragens da Samarco, na última quinta-feira (5).

Na próxima segunda (9), uma equipe coordenada pelo gerente geral de Meio Ambiente da Fundação Gorceix, de Ouro Preto, Wilson José Guerra, vai sobrevoar cidades e distritos atingidos para avaliar o impacto da tragédia e começar a elaborar um plano de revegetação, caracterização de espécies e desassoreamento dos cursos d'água afetados, além da revitalização de áreas, considerando a reinstalação de comunidades.

"É um processo lento. Toda a flora e a fauna já sofreram impactos, mas, para conhecermos a dimensão deles, temos que avaliar e determinar as características da lama. Pela origem, acreditamos que seja um material inerte (sem toxicidade)", adianta Guerra.

Longo caminho

De acordo com o professor, o cenário é mais preocupante nas imediações das barragens, em função da densidade da lama. À medida que ela avança, torna-se menos concentrada e causa prejuízos ambientais menores.

"(A lama) é um material particulado, que tem uma velocidade de decantação mais lenta quando está em um corpo d'água mais volumoso, como o rio Doce. Nos pequenos fluxos, a piscicultura naturalmente vai ser mais afetada", ressalta.

Após o sobrevoo, a equipe da fundação vai percorrer a região por terra. A meta é dar início ao projeto de recuperação ambiental de todas as áreas destruídas até o final da semana que vem.

"Nossos planos são para ontem. Esse é um trabalho muito grande, que envolve um dos maiores impactos (ambientais) dos últimos tempos. Tudo que aconteceu antes - Cataguases, Herculano, Nova Lima - teve impacto e magnitude bem menores. Estamos lidando com algo novo e de potencial muito maior".