A longa espera pela revitalização do Anel Rodoviário de Belo Horizonte parece estar cada vez mais longe de um desfecho. De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), órgão responsável pela rodovia, o projeto de melhorias elaborado pelo Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (Deer-MG) "não atende aos parâmetros técnicos” necessários. Até o momento, os estudos custaram ao Estado R$2,274 milhões.

A rodovia é responsável por ligar a parte sul à parte norte da capital, mas também é passagem para várias cidades vizinhas e saída para outros Estados. Dessa forma, o fluxo de veículos mistura carros de passeio, motos e caminhões. Hoje, o Anel Rodoviário possui pontos com estreitamento de pista e sinalização deficiente que, na opinião de especialistas, são o principal motivo para os acidentes. 

O tenente da polícia militar Pedro Henrique Barreiros, responsável pela fiscalização no Anel Rodoviário, explica que apesar da manutenção feita constantemente, a fluidez e a segurança só vão melhorar efetivamente com a realização das obras de revitalização. 

“São mais de 60 mil veículos por dia em alguns pontos. Isso em uma rodovia que foi construída há mais de 50 anos, para atender à frota daquela época. Precisamos de obras urgentes em pontos de retenção onde há estreitamento da pista. Próximo a Amazonas, ao Carlos Prates e ao viaduto São Francisco estão os locais mais delicados. Isso faz com que o veículo que venha em três pistas se depare com duas pistas repentinamente”, explica. 

Conflitos

Para o engenheiro de transportes e professor da Fumec Márcio Aguiar todas as soluções propostas no projeto do Estado foram para amenizar o problema. A solução definitiva está na construção do Rodoanel, que vai tirar da capital o fluxo de veículos destinado a outras cidades. 

“Uma coisa é o tráfego da cidade, outra coisa é o tráfego misto. Esse projeto do Deer que não resolve todo o problema, mas traz uma melhoria muito grande. Porém há um processo burocrático de avaliação de um órgão federal que não está trabalhando aqui em Belo Horizonte. Aí passa muito tempo e o projeto fica obsoleto. Temos um planejamento nota zero”, critica Aguiar.

A Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) informou, por meio de nota, que “a postura intempestiva do DNIT desconstrói, assim, um processo de pleno diálogo estabelecido no âmbito da mesma Justiça Federal, em 13 de agosto de 2015, após três anos de sucessivos protelamentos de medidas concretas para pôr fim à situação caótica na qual se encontra o Anel Rodoviário de Belo Horizonte”.

O órgão alegou ainda a estranheza no “fato de o DNIT omitir que o projeto funcional, o qual serviu como autorização para o desenvolvimento do anteprojeto para a via, foi devidamente aprovado pelo próprio órgão federal”

A Setop divulgou, ainda, um vídeo de simulação de tráfego do Anel Rodoviário, no volume de veículos previsto para o ano de 2026, com base no projeto funcional devidamente aprovado pelo DNIT. Veja o vídeo: