Projeto que proíbe Uber volta a tramitar e cria discórdia na Assembleia

Gabriela Sales
28/08/2015 às 17:58.
Atualizado em 17/11/2021 às 01:32
 (Divulgação)

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Ânimos aflorados ditaram o tom da audiência pública realizada na manhã desta sexta-feira (28) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para tratar a respeito da atuação do Uber em Minas Gerais.    Cerca de 1.500 taxistas, segundo a Polícia Legislativa, participaram a audiência no espaço José Aparecido de Oliveira, conhecido como Hall das Bandeiras. A audiência teve como objetivo debater o Projeto de Lei 2.676/15, que proíbe o uso de carros particulares cadastrados em aplicativos como o Uber para o transporte remunerado individual de passageiros. “O maior interessado é a população que precisa de um serviço com segurança. Por isso a necessidade de ouvi-la”, disse o deputado Fred Costa.    Além dos taxistas, usuários do sistema de transportes e motoristas do aplicativo Uber participaram a audiência. “ Vim porque sou usuária dos dois sistemas e acredito que a população têm direito de escolha. Não podemos ir contra a tecnologia. E há possibilidade de trabalho para os dois sistemas”, disse a estudante Paola Alencar, de 28 anos.    Durante a audiência, os taxistas, que levaram cartazes e faixas protestando contra o aplicativo, pressionaram para a proibição do uso da plataforma na cidade. “Não há possibilidade de integração do Uber no sistema táxi. Nosso objetivo é que o sistema seja proibido”, declarou o presidente do Sindicato dos Taxistas de Belo Horizonte (Sincavir), Ricardo Faedda.      No término da audiência, o parlamentar Fred Costa informou que o projeto volta a tramitar na Casa Legislativa, porém sinalizou pela regulação do sistema. “O projeto ainda precisa ser apreciado em outras comissões e as opiniões estão divididas. O que não podemos deixar é que o município continue omisso a respeito do serviço”, salientou.    Violência  Os casos de agressões e ameaças envolvendo taxistas e motoristas do Uber continuam em Belo Horizonte. Na madrugada desta sexta-feira (28), um condutor do aplicativo de carona paga afirmou que foi apedrejado. O crime, conforme relatado no Boletim de Ocorrência, aconteceu na avenida Raja Gabaglia, altura do bairro Estoril, região Oeste da capital.   No documento da PM, o motorista do Uber disse que foi acionado por volta das 4h30 para atender clientes que saíam uma casa de show. Três taxistas teriam cercado o Renault Fluence da vítima e obrigado os passageiros a descerem. Após ameaças, o trio ateou pedras no veículo e no motorista do Uber.   O condutor do aplicativo sofreu escoriações, mas recusou atendimento médico. Ele disse aos militares que reconheceu um dos taxistas. A ocorrência foi registrada na Delegacia de Plantão do Barreiro.   O presidente do Sindicato Intermunicipal dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários, Taxistas e Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de Minas Gerais (Sincavir), Ricardo Faedda, disse que repudia a violência cometida pela categoria.   Contudo, ele frisou que casos como este "acaba sendo resultado da prova de nervos que vive os taxistas e que o poder público precisa tomar logo uma decisão (sobre a situação do Uber)".   Em nota, o Uber informou que um motorista parceiro da Uber foi agredido e os passageiros tiveram o seu direito de escolha cerceado por taxistas. A vítima  teria reconhecido o taxista agressor e que ele já foi conduzido para a delegacia em outros casos de violência contra motoristas parceiros.    A Uber disse que repudia qualquer tipo de violência. Acreditamos que conflitos deve ser administrados pelo debate de ideias entre todas as partes, e que o diálogo deve incluir, principalmente, a sociedade. 

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