Com mais de uma hora de atraso foi iniciado, nesta quinta-feira (12), o julgamento de Frederico Flores, acusado de ser o líder do “Bando da Degola” - quadrilha apontada como executora da morte e decapitação de dos empresários Fabiano Ferreira Moura e Rayder Santos Rodrigues, no bairro Sion, região Centro-Sul da capital, em 2010.
 
A sessão, estava marcada para começar às 8h30, mas só teve início às 10h14 e é realizada no 2º Plenário, do Fórum Laffayette, em Belo Horizonte. O júri popular é presidido pelo juiz Glauco Fernandes. 
 
Se condenado, o acusado poderá responder por homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado, extorsão, ocultação de cadáver e formação de quadrilha. A expectativa do promotor Francisco de Assis Santiago é de que o réu seja condenado com a pena máxima pelos crimes, o que daria entre 50 e 60 anos de prisão.
 
Contudo, Flores se beneficia de um laudo pericial que o considera semi-imputável, o que significa que ele pode ser parcialmente responsabilizado por cometer crimes, e, com isso, a pena dele seria reduzida de um a dois terços da pena. 
 
“Vamos tentar desqualificar esse laudo. Consta nos autos que o Frederico Flores fez uso de maconha dentro da penitenciária para fazer esse teste de insanidade mental”, afirmou o promotor. 
 
Foram convocadas para serem ouvidas em plenário quatro testemunhas. O psiquiatra de Frederico Flores, Paulo Roberto, e a médica legista Narai Gesimar que realizou o exame de insanidade mental do réu e Anderson Nazareno são testemunhas que devem ser ouvidas a pedido da defesa. O delegado aposentado Edson Moreira havia sido arrolado pela defesa de Flores, mas foi dispensado no início da sessão. Além disso, foi arrolada pela acusação Tatiane Rodrigues. 
 
A expectativa é de que o júri se estenda até a noite desta quinta-feira. O sorteio do Conselho de Setença foi realizado logo no início da sessão, sendo escolhidas cinco mulheres e dois homens. 
 
Outros envolvidos
 
Dois réus envolvidos no "Bando da Degola" já foram condenados: o ex-policial Renato Mozart, a 59 anos de reclusão, em dezembro de 2011, e o estudante Arlindo Soares Lobo, a 30 anos de reclusão, em julho deste ano, ambos por homicídio qualificado, extorsão, destruição e ocultação de cadáver e formação de quadrilha. Os processos deles foram remetidos ao TJMG para julgamento de recurso.
 
Os outros acusados, o policial André Luiz Bartolomeu da Silva, o pastor evangélico Sidney Eduardo Beijamin e a médica Gabriela Corrêa Ferreira da Costa, além de outras duas pessoas, ainda serão julgados, mas seus processos foram remetidos ao TJMG para julgamento de recursos.
 
Entenda o caso
 
De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), Flores e outros sete acusados sequestraram e extorquiram os empresários Fabiano e Rayder. Após fazer saques e transferências de valores das contas deles, o grupo assassinou as vítimas em um apartamento no bairro Sion e transportou os corpos no porta-malas do carro de uma das vítimas para a região de Nova Lima, na Grande BH, onde foram desovados.
 
Ainda conforme a denúncia, os empresários estavam envolvidos em estelionato e atividades de contrabando de mercadorias importadas, mantendo em seus nomes várias contas bancárias, de onde eram movimentadas grandes quantias de dinheiro. As atividades ilícitas chegaram ao conhecimento de Flores, líder do "Bando da Degola", que passou a manifestar o desejo de extorquí-los e foi ajudado pelos demais acusados. Ao todo, oito pessoas foram presas por envolvimento no crime.
 
(*) Com informações do Tribunal de Justiça de Minas Gerais